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O que é uma recuperação extrajudicial?

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Rafael Winalda

Publicado 12/mar

O que é uma recuperação extrajudicial?

Como explicamos no conteúdo sobre a Recuperação Judicial, empresas que enfrentam dificuldades financeiras podem recorrer a mecanismos legais para renegociar suas dívidas e reorganizar suas operações.

Uma alternativa a esse processo é a Recuperação Extrajudicial.

A recuperação extrajudicial também é um instrumento previsto na legislação brasileira que permite que empresas renegociem suas dívidas com credores, mas com menor intervenção do Poder Judiciário. Em outras palavras, trata-se de um processo mais negociado entre as partes e, geralmente, mais rápido e menos burocrático do que a recuperação judicial.

Enquanto na recuperação judicial a empresa entra com um pedido formal e passa a operar sob supervisão do Judiciário, na recuperação extrajudicial a negociação ocorre primeiro entre empresa e credores, e somente depois pode ser levada à Justiça para homologação.

Como funciona na prática

No caso da recuperação extrajudicial, o processo costuma seguir uma lógica um pouco diferente:

•A empresa inicia negociações diretas com seus credores;

•É elaborado um plano de reestruturação das dívidas;

•Esse plano precisa ser aceito por uma parcela relevante dos credores envolvidos;

•Depois disso, ele pode ser levado à Justiça para homologação.

A homologação judicial serve basicamente para dar segurança jurídica ao acordo, garantindo que ele seja cumprido pelas partes envolvidas.

O que pode mudar nas dívidas

Assim como na recuperação judicial, o objetivo é tornar a estrutura de endividamento da empresa mais sustentável ao longo do tempo. Por isso, o plano de recuperação extrajudicial também pode prever ajustes como:

•Alongamento dos prazos de pagamento;

•Períodos de carência;

•Redução parcial das dívidas (descontos);

•Troca de dívida por participação na empresa.

Essas medidas buscam aliviar a pressão financeira no curto prazo e permitir que a empresa reorganize seu fluxo de caixa.

A principal diferença em relação à recuperação judicial

Embora os objetivos sejam semelhantes, existem diferenças importantes entre os dois mecanismos.

Na recuperação extrajudicial:

•O processo é mais negociado diretamente entre empresa e credores;

•Há menos intervenção do Judiciário;

•Não existe automaticamente um período amplo de proteção contra execuções;

•Apenas os credores incluídos no plano participam da negociação.

Já na recuperação judicial, o processo é mais estruturado e supervisionado pela Justiça, envolve assembleias formais de credores e costuma abranger uma parcela maior das dívidas da empresa.

Por que empresas optam por esse caminho

Em muitos casos, a recuperação extrajudicial é utilizada quando a empresa ainda possui alguma capacidade de negociação com seus credores e consegue estruturar um acordo antes que a situação financeira se deteriore de forma mais grave.

Entre as principais vantagens desse modelo estão:

•Maior agilidade no processo

•Menor custo jurídico

•Menor exposição pública do problema financeiro

•Maior flexibilidade nas negociações

Por outro lado, ele exige que a empresa consiga convencer uma parte relevante dos credores a aderir ao acordo, o que nem sempre é simples.

Por que isso também importa para investidores

Para investidores em crédito privado, como debêntures, CRIs ou CRAs, uma recuperação extrajudicial também pode representar um evento relevante.

Nesses casos, é comum observar:

•Renegociação das condições originais da dívida;

•Mudanças nos prazos de pagamento;

•Possíveis perdas financeiras dependendo do acordo.

Por isso, entender a diferença entre recuperação judicial e recuperação extrajudicial é fundamental para avaliar o risco de crédito e o potencial de recuperação dos ativos envolvidos.


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