Uma temporada resiliente, pero no mucho... E o Ibovespa?
A temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 revelou uma forte resiliência operacional das empresas brasileiras. As receitas e o lucro operacional cresceram cerca de 7%, superando a inflação, mas os altos juros e os desafios no Varejo e nos Bancos limitaram o avanço do lucro líquido a apenas 0,3%. Ainda assim, destaques positivos em setores como Papel e Celulose provam que há excelentes oportunidades para quem sabe escolher bem os ativos.
Diante desse cenário, a nossa bolsa continua muito atrativa e negociando abaixo da sua média histórica de preço sobre lucro. Sem precisar de um otimismo exagerado, utilizamos um múltiplo conservador de 9,5 vezes e projeções realistas para traçar o nosso alvo. Com isso, projetamos o Ibovespa em 193 mil pontos para o final de 2026 e 210 mil pontos em 2027. A matemática mostra que basta as companhias entregarem o esperado para que a bolsa destrave um grande valor ao investidor.
Uma temporada resiliente, pero no mucho
Considerando as empresas do Ibovespa, as receitas agregadas cresceram cerca de 7% na comparação entre o 1T26 e o 1T25. Trata-se de uma evolução bastante positiva, especialmente porque superou com folga a inflação do período, que ficou pouco acima de 4%. Em termos de resultados operacionais, a dinâmica acompanhou esse ritmo, com o EBITDA apresentando uma expansão média também na casa dos 7%.
Apesar do bom desempenho da operação, o lucro líquido acabou decepcionando, registrando uma alta tímida de apenas 0,3% na comparação anual. Essa dificuldade na última linha do balanço emite um alerta claro sobre o peso dos altos encargos financeiros, que continuam corroendo a rentabilidade das companhias.
No entanto, o impacto não veio apenas da linha de juros. Alguns setores atuaram como fortes detratores, a exemplo do varejo, que viu seu resultado final piorar em mais de 100% — um reflexo da ampliação dos prejuízos líquidos que já haviam sido registrados no 1T25.
