Renda Variável


CORN11 e BBOI11: maneira simples de investir em Milho e Boi

Leandro Martins

Leandro Martins

Publicado 10/set

Resumo

Algumas das principais commodities do agronegócio brasileiro

Quer investir em Milho e Boi sem complicação? Conheça CORN11 e BBOI11

Quando pensamos em investimentos na Bolsa, ações, fundos imobiliários e ETFs tradicionais costumam aparecer primeiro. Mas também é possível investir de maneira relativamente simples em algumas das principais commodities do agronegócio brasileiro. 

Dois exemplos são CORN11, ligado ao mercado de milho, e BBOI11, ligado ao boi gordo.

A grande vantagem é justamente a simplicidade. Em vez de o investidor precisar operar diretamente contratos futuros, acompanhar vencimentos, margens de garantia e outros detalhes desse mercado, esses ETFs podem ser comprados e vendidos pela própria Bolsa, de maneira semelhante à negociação de uma ação.

🌽 CORN11: uma maneira simples de investir em milho

O CORN11 é o BB ETF Índice Futuro de Milho B3. Seu objetivo é acompanhar o desempenho do Índice Futuro de Milho B3 (IFMILHO B3).

Na prática, o índice acompanha uma carteira teórica baseada no primeiro vencimento do contrato futuro de milho negociado na B3, conhecido pelo código CCM. A rolagem desses contratos ocorre de forma bimestral, enquanto os recursos mantidos em caixa são remunerados por ativos ligados ao DI ou à Selic.

Assim, comprar CORN11 não significa comprar sacas de milho ou ações de uma empresa produtora. Significa ganhar exposição financeira ao comportamento do mercado futuro da commodity.

O preço do milho pode ser influenciado por diversos fatores, entre eles:

  • tamanho e qualidade das safras brasileiras e internacionais;
  • condições climáticas, como secas ou excesso de chuvas;
  • estoques globais;
  • demanda para produção de ração animal;
  • crescimento da utilização de milho na produção de etanol;
  • exportações brasileiras;
  • produção dos Estados Unidos, um dos gigantes mundiais do setor;
  • relação entre oferta e demanda da commodity.

Por isso, períodos de quebra de safra ou redução da oferta, por exemplo, podem provocar movimentos importantes nos preços.

🐮 BBOI11: exposição ao boi gordo pela Bolsa

O BBOI11 segue uma lógica semelhante, mas seu ativo de referência é outro: o boi gordo.

O ETF busca acompanhar o Índice Futuro de Boi Gordo B3 (IFBOI B3). Esse índice utiliza o primeiro vencimento do contrato futuro de boi gordo, conhecido pelo código BGI, realizando sua rolagem mensal. O caixa também é remunerado por ativos ligados ao DI ou à Selic.

Dessa forma, o investidor consegue exposição ao mercado pecuário brasileiro sem precisar negociar diretamente contratos futuros.

Entre os principais fatores que podem movimentar o boi gordo estão:

  • oferta de animais para abate;
  • ciclo pecuário;
  • preço do bezerro;
  • custos de alimentação;
  • demanda doméstica por carne bovina;
  • exportações;
  • compras da China e de outros grandes mercados;
  • condições climáticas das regiões produtoras;
  • abertura ou fechamento de mercados internacionais para a carne brasileira.

O Brasil ocupa posição de enorme relevância no mercado mundial de carne bovina. Isso faz do boi gordo uma commodity particularmente interessante para quem deseja adicionar à carteira um fator de risco diferente daqueles encontrados nas ações tradicionais.

Por que não comprar contratos futuros diretamente?

É possível investir diretamente nos contratos futuros de milho e boi gordo. O problema é que essa alternativa exige maior conhecimento operacional.

O investidor precisa entender conceitos como margem de garantia, ajustes diários, vencimentos e rolagem das posições. Dependendo da estratégia utilizada, a exposição também pode envolver alavancagem.

CORN11 e BBOI11 simplificam bastante esse processo. As cotas são negociadas na B3 e podem ser encontradas pelo ticker dentro da plataforma da corretora, assim como outros ETFs.

Esse talvez seja o principal atrativo desses produtos para o pequeno investidor: transformar uma exposição que tradicionalmente pertence ao mercado futuro em algo muito mais acessível operacionalmente.

Commodities também ajudam na diversificação

Outro ponto interessante é a diversificação.

Uma carteira concentrada somente em ações brasileiras permanece bastante dependente do comportamento das empresas, dos juros e da própria economia doméstica. Commodities agrícolas possuem fatores próprios de formação de preços, como clima, safras, estoques, exportações e oferta global.

Estudo divulgado pela B3 sobre ETFs de commodities agrícolas destacou justamente o potencial dessas exposições como instrumento de diversificação, devido à diferença de comportamento em relação a indicadores tradicionais do mercado financeiro brasileiro.

Isso não significa que milho ou boi necessariamente subirão quando a Bolsa cair. A correlação pode mudar ao longo do tempo. Mas significa adicionar à carteira fontes diferentes de risco e retorno.

CORN11 ou BBOI11?

Os dois produtos cumprem papéis semelhantes em termos de acesso às commodities, mas representam mercados bastante diferentes.

O CORN11 pode fazer mais sentido para quem acredita em valorização do milho provocada por fatores como menor oferta, problemas climáticos, aumento das exportações ou crescimento da demanda.

Já o BBOI11 permite uma exposição mais direta ao ciclo pecuário e ao comportamento dos preços do boi gordo, podendo se beneficiar de cenários de redução da oferta de animais, aumento das exportações ou fortalecimento da demanda por carne.

Também é possível utilizar os dois ETFs simultaneamente, criando uma pequena parcela da carteira dedicada às commodities agrícolas.

Atenção: ETF de commodity também tem risco

Apesar da facilidade operacional, CORN11 e BBOI11 continuam sendo investimentos de renda variável.

Além da oscilação natural das commodities, existe outro ponto importante: os ETFs acompanham índices baseados em contratos futuros, e não simplesmente o preço à vista do milho ou do boi.

Como esses contratos precisam ser periodicamente substituídos pelos vencimentos seguintes, o processo de rolagem pode influenciar a rentabilidade. Por isso, a variação do ETF não precisa ser exatamente igual à variação do preço do milho ou do boi que aparece no noticiário.

Também existem custos do próprio fundo, risco de liquidez no mercado secundário e possibilidade de algum descolamento em relação ao índice de referência.

Agro na carteira sem precisar virar especialista em futuros

CORN11 e BBOI11 mostram como os ETFs vêm ampliando as possibilidades disponíveis ao investidor brasileiro.

Com poucos cliques, tornou-se possível adicionar à carteira exposição a dois mercados profundamente ligados à economia brasileira: milho e boi gordo.

O CORN11 oferece acesso ao mercado futuro de milho, enquanto o BBOI11 faz o mesmo com o boi gordo. Para quem busca diversificação e acredita em determinados ciclos de valorização das commodities agrícolas, os dois ETFs podem funcionar como alternativas interessantes dentro de uma parcela de renda variável da carteira.

A grande mensagem é simples: para investir no agro, o investidor não precisa necessariamente comprar ações de empresas agrícolas nem aprender a operar contratos futuros. CORN11 e BBOI11 criaram um caminho muito mais simples para colocar milho e boi diretamente no radar da carteira.

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