Renda Variável


Como guerras e conflitos afetam os mercados?

Leandro Martins

Leandro Martins

Publicado 19/fev7 min de leitura

Resumo

Onde o investidor iniciante pode buscar proteção?

O investidor iniciante não precisa prever conflitos. Precisa estruturar a carteira para atravessá-los

Ainda não temos uma pacificação da invasão Russa na Ucrânia, e já temos no radar um possível novo conflito, agora com os EUA contra o IRÃ. Mas o que os investidores têm relação com isso?

Guerras geram estresse porque aumentam a incerteza sobre o futuro. Quando um conflito começa, surgem dúvidas imediatas.

Haverá impacto no petróleo? Cadeias globais de produção serão afetadas? A inflação vai subir? Bancos centrais terão que manter juros altos? Ou haverá desaceleração econômica?

Esse aumento de incerteza provoca três efeitos clássicos nos mercados financeiros:

- Alta da volatilidade

- Fuga de capital de países emergentes e ativos considerados mais arriscados

- Busca por proteção em ativos mais seguros

Foi assim na guerra do Iraque, na invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 e em diversos outros conflitos no Oriente Médio. O choque inicial costuma ser negativo para bolsas, positivo para dólar e ouro, e muitas vezes positivo para commodities como petróleo.

Mas há um ponto importante: historicamente, após o estresse inicial, os mercados tendem a se reorganizar.

O investidor iniciante precisa entender como se posicionar nesse tipo de cenário sem agir por impulso.

Ouro: proteção tradicional em momentos de crise

O Ouro é considerado reserva de valor há séculos.

Em momentos de guerra, ele costuma se valorizar porque:

- Não depende de um governo específico

- É um ativo físico e escasso

- Protege contra inflação e risco sistêmico

O investidor pode acessar ouro por meio de ETFs, fundos ou estruturas específicas como COE.

COE de capital protegido atrelado ao Ouro

O Certificado de Operações Estruturadas é uma alternativa interessante para quem está começando.

No modelo de capital protegido:

- Se o ouro subir, o investidor participa da valorização

- Se o ouro cair, o capital investido é protegido no vencimento

É uma forma de buscar proteção em cenários turbulentos, com risco controlado.

Dólar: a moeda que o mundo procura em momentos de tensão

O Dólar dos Estados Unidos tende a se fortalecer quando o risco global aumenta.

Isso ocorre porque investidores buscam:

- Segurança

- Liquidez

- Títulos do governo americano

Para o investidor brasileiro, ter parte da carteira dolarizada ajuda quando o real se desvaloriza.

S&P 500 e exposição internacional

O principal índice americano é o S&P 500, que reúne 500 grandes empresas dos Estados Unidos.

Uma forma simples de investir nele é por meio do:

- IVVB11

Historicamente, em vários episódios de estresse global, o mercado americano tende a sofrer menos que mercados emergentes.

COE de capital protegido atrelado ao S&P 500

Outra alternativa conservadora é o COE de capital protegido ligado ao S&P 500.

Nesse caso:

- Se o índice subir, o investidor participa da alta

- Se houver queda, o capital é protegido no vencimento

Em cenários onde o Ibovespa pode cair mais do que o mercado americano, essa pode ser uma alternativa interessante para iniciantes.

Ações brasileiras: risco e oportunidade

Conflitos podem gerar saída de capital de países emergentes, pressionando a bolsa brasileira.

Por outro lado, empresas exportadoras podem se beneficiar se houver alta de commodities.

Exemplos:

- Petrobras (PETR4)

- Vale (VALE3)

Se petróleo e minério sobem, essas empresas podem apresentar desempenho mais resiliente.

O iniciante deve evitar concentração excessiva e buscar diversificação.

BDRs: empresas globais acessíveis pela B3

Os Brazilian Depositary Receipts permitem investir em empresas internacionais sem sair da bolsa brasileira.

Alguns exemplos:

Tecnologia sólida

- Apple (AAPL34)

- Microsoft (MSFT34)

Defesa

- Lockheed Martin (LMTB34)

Petróleo

- ExxonMobil (EXXO34)

Além da empresa, o investidor também ganha exposição ao dólar.

Resumo das possíveis proteções em cenários de guerra

1 - Tipo de investimento: Ouro

Exemplo: ETFs ou COE atrelado ao ouro

Objetivo em cenário de conflito: proteção contra estresse sistêmico e inflação

2 - Tipo de investimento: Exposição ao Dólar

Exemplo: Fundos Cambiais e BDRs

Objetivo em cenário de conflito: proteção contra desvalorização do real

3 - Tipo de investimento: Mercado Americano

Exemplo: IVVB11 ou COE atrelado ao S&P 500

Objetivo em cenário de conflito: diversificação, proteção cambial e possível menor volatilidade

4 - Tipo de investimento: Commodities Brasileiras

Exemplo: Petrobras e Vale

Objetivo em cenário de conflito: benefício com alta de petróleo e metais

5 - Tipo de investimento: BDRs de empresas globais

Exemplo: Apple, Microsoft, Exxon e Lockheed

Objetivo em cenário de conflito: exposição internacional e ao dólar

Guerras geram estresse porque aumentam a incerteza econômica. E mercados reagem rapidamente à incerteza.

Mas o investidor iniciante não precisa prever conflitos. Precisa estruturar a carteira para atravessá-los.

Diversificação, exposição internacional, proteção cambial e instrumentos de capital protegido como COEs podem ajudar a reduzir impactos.

Crises passam. Estrutura sólida de carteira permanece.


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