O investidor iniciante não precisa prever conflitos. Precisa estruturar a carteira para atravessá-los
Ainda não temos uma pacificação da invasão Russa na Ucrânia, e já temos no radar um possível novo conflito, agora com os EUA contra o IRÃ. Mas o que os investidores têm relação com isso?
Guerras geram estresse porque aumentam a incerteza sobre o futuro. Quando um conflito começa, surgem dúvidas imediatas.
Haverá impacto no petróleo? Cadeias globais de produção serão afetadas? A inflação vai subir? Bancos centrais terão que manter juros altos? Ou haverá desaceleração econômica?
Esse aumento de incerteza provoca três efeitos clássicos nos mercados financeiros:
- Alta da volatilidade
- Fuga de capital de países emergentes e ativos considerados mais arriscados
- Busca por proteção em ativos mais seguros
Foi assim na guerra do Iraque, na invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 e em diversos outros conflitos no Oriente Médio. O choque inicial costuma ser negativo para bolsas, positivo para dólar e ouro, e muitas vezes positivo para commodities como petróleo.
Mas há um ponto importante: historicamente, após o estresse inicial, os mercados tendem a se reorganizar.
O investidor iniciante precisa entender como se posicionar nesse tipo de cenário sem agir por impulso.
Ouro: proteção tradicional em momentos de crise
O Ouro é considerado reserva de valor há séculos.
Em momentos de guerra, ele costuma se valorizar porque:
- Não depende de um governo específico
- É um ativo físico e escasso
- Protege contra inflação e risco sistêmico
O investidor pode acessar ouro por meio de ETFs, fundos ou estruturas específicas como COE.
COE de capital protegido atrelado ao Ouro
O Certificado de Operações Estruturadas é uma alternativa interessante para quem está começando.
No modelo de capital protegido:
- Se o ouro subir, o investidor participa da valorização
- Se o ouro cair, o capital investido é protegido no vencimento
É uma forma de buscar proteção em cenários turbulentos, com risco controlado.
Dólar: a moeda que o mundo procura em momentos de tensão
O Dólar dos Estados Unidos tende a se fortalecer quando o risco global aumenta.
Isso ocorre porque investidores buscam:
- Segurança
- Liquidez
- Títulos do governo americano
Para o investidor brasileiro, ter parte da carteira dolarizada ajuda quando o real se desvaloriza.
S&P 500 e exposição internacional
O principal índice americano é o S&P 500, que reúne 500 grandes empresas dos Estados Unidos.
Uma forma simples de investir nele é por meio do:
- IVVB11
Historicamente, em vários episódios de estresse global, o mercado americano tende a sofrer menos que mercados emergentes.
COE de capital protegido atrelado ao S&P 500
Outra alternativa conservadora é o COE de capital protegido ligado ao S&P 500.
Nesse caso:
- Se o índice subir, o investidor participa da alta
- Se houver queda, o capital é protegido no vencimento
Em cenários onde o Ibovespa pode cair mais do que o mercado americano, essa pode ser uma alternativa interessante para iniciantes.
Ações brasileiras: risco e oportunidade
Conflitos podem gerar saída de capital de países emergentes, pressionando a bolsa brasileira.
Por outro lado, empresas exportadoras podem se beneficiar se houver alta de commodities.
Exemplos:
- Petrobras (PETR4)
- Vale (VALE3)
Se petróleo e minério sobem, essas empresas podem apresentar desempenho mais resiliente.
O iniciante deve evitar concentração excessiva e buscar diversificação.
BDRs: empresas globais acessíveis pela B3
Os Brazilian Depositary Receipts permitem investir em empresas internacionais sem sair da bolsa brasileira.
Alguns exemplos:
Tecnologia sólida
- Apple (AAPL34)
- Microsoft (MSFT34)
Defesa
- Lockheed Martin (LMTB34)
Petróleo
- ExxonMobil (EXXO34)
Além da empresa, o investidor também ganha exposição ao dólar.
Resumo das possíveis proteções em cenários de guerra
1 - Tipo de investimento: Ouro
Exemplo: ETFs ou COE atrelado ao ouro
Objetivo em cenário de conflito: proteção contra estresse sistêmico e inflação
2 - Tipo de investimento: Exposição ao Dólar
Exemplo: Fundos Cambiais e BDRs
Objetivo em cenário de conflito: proteção contra desvalorização do real
3 - Tipo de investimento: Mercado Americano
Exemplo: IVVB11 ou COE atrelado ao S&P 500
Objetivo em cenário de conflito: diversificação, proteção cambial e possível menor volatilidade
4 - Tipo de investimento: Commodities Brasileiras
Exemplo: Petrobras e Vale
Objetivo em cenário de conflito: benefício com alta de petróleo e metais
5 - Tipo de investimento: BDRs de empresas globais
Exemplo: Apple, Microsoft, Exxon e Lockheed
Objetivo em cenário de conflito: exposição internacional e ao dólar
Guerras geram estresse porque aumentam a incerteza econômica. E mercados reagem rapidamente à incerteza.
Mas o investidor iniciante não precisa prever conflitos. Precisa estruturar a carteira para atravessá-los.
Diversificação, exposição internacional, proteção cambial e instrumentos de capital protegido como COEs podem ajudar a reduzir impactos.
Crises passam. Estrutura sólida de carteira permanece.
