Bandas de Bollinger, Estocástico Lento (10) e IFR/RSI (14)
1) Bandas de Bollinger: conceito e parametrização
As Bandas de Bollinger são um indicador de volatilidade construído ao redor de uma média móvel. A lógica é simples:
- Quando o mercado está “calmo”, os preços oscilam menos e as bandas ficam mais estreitas.
- Quando o mercado acelera, os preços oscilam mais e as bandas ficam mais largas.
1.1. Parâmetros clássicos: Média 20 e Desvio-padrão 2
A configuração mais comum é:
- Período da média = 20
- Desvio padrão = 2
- Aplicado, geralmente, ao fechamento do candle.
A construção é:
- Banda do Meio (Basis) = Média Móvel (geralmente SMA) de 20 períodos
- Banda Superior = Média 20 + (2 × desvio-padrão 20)
- Banda Inferior = Média 20 − (2 × desvio-padrão 20)
O que isso significa na prática:
O desvio-padrão mede o quanto o preço está se afastando, em média, do “centro” (a média). Ao multiplicar por 2, você cria um “corredor” de volatilidade ao redor da média.
1.2. Por que a Bollinger é indicador de volatilidade?
Porque o desvio-padrão aumenta quando o preço fica mais errático (candle maior, variação maior, deslocamentos mais rápidos).
Logo:
- Volatilidade sobe → desvio-padrão sobe → bandas abrem
- Volatilidade cai → desvio-padrão cai → bandas fecham
Esse “abre e fecha” é uma leitura objetiva de compressão e expansão de volatilidade.
2) Desvio-padrão 2 vs 3: qual a diferença e por que muda o comportamento
Você comentou que eventualmente usa desvio 3 — isso é ótimo para explicar ao público como o indicador muda de “sensibilidade”.
2.1. O que muda ao passar de 2 para 3?
- DP 2: bandas mais “próximas” do preço → mais toques, mais sinais, mais sensível.
- DP 3: bandas mais “distantes” → menos toques, sinais mais raros, maior filtro.
Em termos práticos:
- DP 2 é melhor para leitura do “ritmo” e dinâmica normal de preço.
- DP 3 costuma funcionar como “zona de estresse”, útil para identificar exageros (extremos mais raros), ou para reduzir ruído em mercados muito voláteis.
2.2. Quando DP 3 pode ser útil
- Ativos com movimentos “espirrados” (volatilidade alta)
- Momentos de notícias / eventos (alta dispersão)
- Estratégias que buscam menos sinais e maior seletividade
Importante: DP 3 não é “melhor” — ele é mais conservador. Você troca frequência por filtro.
3) Como usar as Bandas: leituras operacionais (sem cair em armadilhas)
A maior armadilha com Bollinger é tratar banda superior como “venda” e banda inferior como “compra” sempre. Isso falha principalmente quando o mercado está tendencial. A leitura profissional vem de entender o contexto.
3.1. Leitura 1 — “Toque na banda” não é sinal; é informação
Um toque na banda diz:
“o preço está se deslocando com força em relação ao comportamento médio recente”.
Isso pode significar:
- continuidade (tendência forte)
- exaustão (movimento esticado)
- volatilidade se expandindo (início de movimento)
Você decide qual é o caso olhando:
- inclinação da média 20
- comportamento de candles
- presença de rompimentos/estrutura
- confirmação com osciladores (Estocástico/IFR)
3.2. Leitura 2 — “Caminhar pela banda” (band-walk)
Em tendência forte, o preço pode “andar” na banda superior (alta) ou inferior (baixa). Nesse cenário:
- tocar banda superior não é venda, pode ser força compradora
- tocar banda inferior não é compra, pode ser pressão vendedora
Ponto-chave: em tendência, as bandas viram “trilho” de movimento.
3.3. Leitura 3 — “Retorno à média” (mean reversion)
Quando o mercado está mais lateral ou com impulsos curtos, ocorre o clássico:
- preço estica na banda → perde força → volta para a média 20
Aqui, a banda pode ser usada como:
- zona de esticamento
- região para buscar reversão curta
- alvo natural = média 20
Mas: reversão boa costuma vir com sinal de perda de força (ex.: candle de rejeição, divergência, quebra de microestrutura).
3.4. Leitura 4 — “Squeeze” (compressão) e expansão
Quando as bandas se aproximam (ficam estreitas), você tem:
- volatilidade baixa
- mercado “carregando mola”
O que vem depois, muitas vezes, é:
- expansão de volatilidade
- rompimento (para cima ou para baixo)
Uso operacional: em squeeze, o trader não “adivinha direção”; ele se prepara para:
- mapear rompimento + confirmação
- alinhar com estrutura e osciladores (IFR/Estocástico)
4) Estocástico Lento (10): o que mede e como ler sobrecompra/sobrevenda
Você usa Estocástico em 10 e lento (isso é importante, porque reduz ruído e deixa a leitura mais estável).
4.1. O que o Estocástico mede
Ele mede posição do fechamento em relação ao range (máxima-mínima) de um período.
Em linguagem simples:
“O preço está fechando mais perto do topo do range recente (força) ou mais perto do fundo (fraqueza)?”
4.2. Regiões clássicas
- Sobrecompra: acima de 80
- Sobrevenda: abaixo de 20
Atenção (conceito essencial):
Sobrecompra não significa “tem que cair”; significa “o movimento recente foi forte”.
Sobrevenda não significa “tem que subir”; significa “o movimento recente foi fraco”.
4.3. O que costuma funcionar melhor com Estocástico
- Cruzar para fora das zonas (voltar de >80 para baixo, ou de <20 para cima) costuma ser mais relevante do que “entrar” na zona.
- Divergências e perda de inclinação podem sinalizar exaustão.
- Em tendência forte, ele pode ficar “preso” em sobrecompra/sobrevenda.
5) IFR/RSI (14): leitura, parâmetros e como ele “antecipa” movimentos
Você utiliza IFR em 14, que é o padrão mais conhecido.
5.1. O que o IFR mede
O IFR mede a força relativa dos fechamentos, comparando ganhos e perdas ao longo de N períodos.
É um oscilador de momentum: aceleração e desaceleração do movimento.
5.2. Regiões clássicas
- Sobrecompra: acima de 70
- Sobrevenda: abaixo de 30
- Região de equilíbrio: em torno de 50
Alguns traders usam 80/20 para mercados muito voláteis, ou para filtrar sinais (menos trades, mais seletividade).
5.3. Como o IFR pode “antecipar” (ideia de quebra de estrutura no oscilador)
Quando você fala que o IFR antecipa movimentos, o conceito mais forte aqui é:
- Divergências (preço faz topo mais alto, IFR faz topo mais baixo)
- Quebras de estrutura do próprio IFR (o oscilador rompe uma linha de tendência interna antes do preço confirmar)
- Mudança de regime pelo nível 50
IFR acima de 50 tende a indicar “regime comprador”
IFR abaixo de 50 tende a indicar “regime vendedor”
Tradução prática:
O preço pode ainda estar “segurando” no gráfico, mas o IFR já mostra que a força do movimento está mudando — seja por divergência, seja por perda de momentum, seja por quebra de uma estrutura interna.
6) Como combinar: Bollinger + Estocástico (10 lento) + IFR (14)
A combinação funciona bem porque:
- Bollinger te diz volatilidade e esticamento
- Estocástico te diz posição no range (força/pressão no curto prazo)
- IFR te diz momentum e mudança de regime
A seguir, três modelos de leitura (bem “de sala”, direto para o operacional).
Modelo A — Reversão curta (“retorno à média”) com filtro de força
Contexto ideal: mercado lateral / impulso curto / bandas não muito inclinadas.
Checklist:
1- Preço toca ou excede banda superior (esticamento)
2 - Estocástico > 80, mas começa a virar (perde inclinação / cruza para baixo)
3 - IFR mostra perda de força: divergência ou IFR falha em sustentar máximas ou retorna abaixo de um nível relevante
Objetivo natural: média 20 (banda do meio).
Ponto de atenção: se houver “band-walk” (tendência forte), não insistir em reversão.
Modelo B — Continuidade em tendência (“andar na banda”) com confirmação
Contexto ideal: média 20 inclinada e preço com deslocamento claro.
Checklist:
1 - Média 20 inclinada e preço respeitando “trilho” da banda
2 - Recuos até a banda do meio (média 20) e retomada
3 - IFR acima de 50 (regime comprador) em tendência de alta
4 - Estocástico pode permanecer alto — aqui você usa mais para timing do pullback do que para “vender sobrecompra”.
Ideia central: em tendência, oscilador em sobrecompra pode ser força, não reversão.
Modelo C — Squeeze + rompimento (expansão de volatilidade)
Contexto ideal: bandas estreitas e preço “amassado”.
Checklist:
1 - Bandas comprimidas (squeeze)
2 - Candle de rompimento + início de abertura das bandas
3 - IFR reage e busca níveis “de regime” (ganha tração)
4 - Estocástico sai de região neutra e acelera na direção do rompimento
Conceito importante: o squeeze não diz direção; ele diz que “a mola está armada”.
7) Erros comuns e boas práticas (para deixar o relatório completo)
Erros comuns:
- Operar reversão toda vez que tocar a banda (sem contexto)
- Ignorar tendência e “brigar com o movimento”
- Tratar sobrecompra/sobrevenda como “ordem automática” de virar
- Não separar leitura para mercado lateral vs tendencial
Boas práticas:
- Use a Bollinger como mapa de volatilidade e esticamento, não como gatilho isolado
- Use o IFR para entender regime (acima/abaixo de 50) e mudança de momentum
- Use o Estocástico lento para timing (virada/cruzamento/saída de zona), especialmente em retorno à média
- Sempre alinhar com estrutura do preço (topos/fundos, rompimentos, rejeições)
8) Parâmetros citados no seu método (para fechar com clareza)
- Bandas de Bollinger: média 20, desvio-padrão 2 (padrão) e ocasionalmente 3 (maior filtro)
- IFR/RSI: 14
- Estocástico: 10, lento
