Renda Fixa


TD3511: uma nova forma de investir no Tesouro IPCA+ 2035 pela Bolsa

Leandro Martins

Leandro Martins

Publicado 17/ago

Resumo

Uma forma de se expor ao comportamento de um título público IPCA+ 2035, mas utilizando a estrutura de um ETF.

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Quem investe pensando no médio e longo prazo provavelmente já ouviu falar no Tesouro IPCA+, um dos investimentos mais conhecidos para quem busca proteger o patrimônio contra a inflação. Agora, existe também uma maneira diferente de acessar esse tipo de título diretamente pela Bolsa: o TD3511.

Lançado em fevereiro de 2026 e gerido pela Itaú Asset Management, o TD3511 é um ETF de renda fixa criado para acompanhar o Índice ANBIMA NTN-B 2035. Na prática, sua carteira é concentrada na NTN-B com vencimento em 2035, título público federal indexado à inflação.

O que é o TD3511?

O TD3511 é um ETF de renda fixa negociado na B3, da mesma maneira que uma ação ou um ETF tradicional. Para investir, basta procurar pelo código TD3511 no home broker da corretora.

Seu objetivo é acompanhar o desempenho do ANBIMA NTN-B 2035, índice composto pelo título público Tesouro IPCA+ com vencimento em 2035.

Isso significa que, de maneira simplificada, investir no TD3511 é uma forma de se expor ao comportamento de um título público IPCA+ 2035, mas utilizando a estrutura de um ETF.

Mas o que significa IPCA+?

Essa é uma das partes mais importantes para o investidor iniciante.

Os títulos conhecidos como Tesouro IPCA+ possuem sua rentabilidade relacionada a dois componentes:

IPCA + uma taxa de juros real.

O IPCA é o principal indicador oficial da inflação brasileira. Portanto, esses títulos foram desenvolvidos para oferecer uma rentabilidade acima da inflação quando considerados nas condições previstas para o investimento.

Imagine, apenas como exemplo, que determinado título ofereça:

IPCA + 6% ao ano

Se a inflação fosse de 4% durante determinado período, haveria o componente da inflação mais a taxa real contratada. É justamente essa característica que torna os títulos IPCA+ bastante utilizados em estratégias de preservação do poder de compra no longo prazo.

Por que 2035?

O grande diferencial do TD3511 está justamente em possuir um vencimento de referência específico.

Em vez de investir em uma cesta com títulos públicos de diversos vencimentos, o ETF busca acompanhar especificamente a NTN-B 2035.

Isso facilita a utilização do produto dentro de uma estratégia de investimentos. Um investidor que tenha objetivos financeiros próximos dessa data pode, por exemplo, utilizar o TD3511 como uma das alternativas para exposição à inflação e aos juros reais brasileiros.

O TD3511 pode subir e cair?

Sim. E esse é um ponto fundamental para quem está começando.

Apesar de investir em títulos públicos, o preço do TD3511 pode apresentar oscilações diariamente.

Isso acontece por causa da chamada marcação a mercado.

Quando as taxas de juros exigidas pelo mercado caem, títulos IPCA+ adquiridos anteriormente com taxas maiores tendem a se valorizar. Nesse cenário, o TD3511 pode apresentar valorização.

O movimento contrário também acontece: quando as taxas de juros sobem, o preço desses títulos pode cair.

Por isso, renda fixa não significa necessariamente preço fixo.

Queda dos juros pode beneficiar o TD3511?

Sim. Esse é outro ponto interessante do produto.

Como o TD3511 está exposto a uma NTN-B com vencimento em 2035, ele possui sensibilidade às mudanças nas expectativas para os juros reais brasileiros.

Em um cenário de redução das taxas de juros de médio e longo prazo, o título que compõe o índice pode se valorizar e, consequentemente, beneficiar o ETF.

Por outro lado, uma abertura das taxas de juros pode provocar desvalorização das cotas.

Portanto, o TD3511 pode ser utilizado não apenas como instrumento de proteção contra a inflação, mas também em estratégias que busquem aproveitar movimentos de queda dos juros.

E os cupons pagos pelo título?

Existe aqui uma característica bastante interessante da estrutura do ETF.

A NTN-B 2035 que serve de referência para o TD3511 possui pagamento periódico de cupons. Dentro do ETF, esses recursos são reinvestidos automaticamente, aumentando a eficiência da estratégia de acumulação.

O investidor não precisa receber o dinheiro na conta e decidir novamente onde aplicá-lo.

Esse processo acontece dentro do próprio fundo.

Tributação do TD3511

Outro diferencial importante está na tributação.

Segundo a gestora, o TD3511 possui alíquota de 15% de Imposto de Renda sobre o ganho de capital, independentemente do prazo do investimento.

Além disso, o ETF não possui come-cotas nem IOF, e a estrutura também simplifica o recolhimento do imposto para o investidor.

Isso torna o produto especialmente interessante para estratégias de prazo mais longo.

TD3511 ou Tesouro IPCA+ diretamente?

Apesar de serem parecidos, os investimentos não são exatamente iguais.

Ao comprar um título diretamente pelo Tesouro Direto, o investidor possui aquele título individualmente e pode estruturar sua estratégia pensando em carregá-lo até seu vencimento.

No TD3511, o investidor compra cotas de um fundo negociado em Bolsa que acompanha o comportamento da NTN-B 2035.

O ETF traz algumas facilidades, como negociação pela B3, reinvestimento automático dos cupons e tributação de 15% sobre o ganho de capital.

Já o investimento direto no Tesouro pode ser mais intuitivo para quem deseja comprar um título específico e carregá-lo até o vencimento.

Não existe necessariamente uma alternativa melhor: são estruturas diferentes para objetivos diferentes.

Para quem o TD3511 pode fazer sentido?

O TD3511 pode ser interessante principalmente para investidores que:

  • desejam proteger parte do patrimônio contra a inflação;
  • possuem horizonte de investimento de médio ou longo prazo;
  • querem exposição ao Tesouro IPCA+ 2035;
  • acreditam em uma possível redução dos juros reais brasileiros;
  • buscam diversificar a parcela de renda fixa da carteira;
  • querem investir em títulos públicos utilizando a estrutura de um ETF;
  • valorizam o reinvestimento automático dos cupons;
  • buscam uma tributação de 15% sobre o ganho de capital.

Quais são os principais riscos?

O principal cuidado está justamente na oscilação do preço das cotas.

Quanto maior a sensibilidade do título às taxas de juros, maiores podem ser as oscilações provocadas pelas mudanças nas expectativas do mercado.

Portanto, o TD3511 não deve ser confundido com produtos de baixíssima volatilidade, como investimentos pós-fixados próximos ao CDI.

Mesmo sendo um ETF de títulos públicos, suas cotas podem apresentar períodos de valorização e também de perdas.

TD3511 em poucas palavras

Para o investidor iniciante, podemos resumir o produto da seguinte maneira:

TD3511 = uma forma de investir, pela Bolsa, no comportamento do Tesouro IPCA+ 2035.

O ETF combina proteção contra a inflação, exposição aos juros reais, negociação pela B3, reinvestimento automático dos cupons e tributação de 15% sobre o ganho de capital.

Para quem possui horizonte de médio e longo prazo e entende que o preço das cotas pode oscilar antes de 2035, o TD3511 surge como mais uma alternativa para diversificar a parcela de renda fixa da carteira.

Como em qualquer investimento, porém, é importante avaliar os objetivos, o horizonte de investimento e a tolerância às oscilações antes de investir.


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