Renda Fixa


IRFM11: uma forma simples de investir em títulos públicos prefixados

Leandro Martins

Leandro Martins

Publicado 18/ago

Resumo

Uma maneira prática de diversificar a renda fixa sem precisar montar e acompanhar toda a carteira sozinho

Quem está começando a investir normalmente conhece primeiro o Tesouro Direto, os CDBs e, mais recentemente, os ETFs. Mas você sabia que também é possível juntar esses dois mundos e investir em renda fixa por meio de um ETF negociado na Bolsa?

É justamente essa a proposta do IRFM11, um ETF que permite investir de maneira simples em uma carteira de títulos públicos prefixados.

Afinal, o que é o IRFM11?

O IRFM11 (IT NOW IRF-M P2) é um ETF de renda fixa negociado na B3 e gerido pela Itaú Asset Management.

Seu objetivo é acompanhar o IRF-M P2, índice da ANBIMA formado por títulos públicos prefixados brasileiros.

Na prática, funciona assim: em vez de escolher e comprar diferentes títulos do Tesouro individualmente, o investidor compra uma única cota do IRFM11 e passa a ter exposição a uma carteira desses títulos.

É uma maneira prática de diversificar a renda fixa sem precisar montar e acompanhar toda a carteira sozinho.

Mas o que significa “prefixado”?

Quando falamos em um título prefixado, estamos falando de um investimento cuja taxa de juros é conhecida no momento da aplicação.

Imagine, por exemplo, um título oferecendo uma taxa de 12% ao ano. Se o investidor comprar esse título e permanecer com ele até o vencimento, respeitadas as condições do investimento, aquela será a taxa contratada.

Mas existe um detalhe importante: antes do vencimento, o preço desse título pode subir ou cair. E é justamente aqui que começamos a entender o comportamento do IRFM11.

Por que o preço do IRFM11 sobe e desce?

Mesmo sendo um investimento de renda fixa, o IRFM11 possui cotação na Bolsa e pode apresentar valorização ou queda diariamente.

Isso acontece principalmente por causa da chamada marcação a mercado.

O nome parece complicado, mas a lógica é relativamente simples.

Imagine que você tenha um título pagando 12% ao ano e, algum tempo depois, os novos títulos disponíveis no mercado passem a pagar apenas 10%.

Seu título de 12% ficou mais interessante, certo? Por isso, ele tende a se valorizar.

Agora imagine o contrário: você possui um título pagando 12%, mas novos títulos passam a oferecer 14%. Nesse caso, seu título antigo fica relativamente menos atrativo e seu preço tende a cair.

De forma simplificada:

Juros caindo → títulos prefixados tendem a subir.

Juros subindo → títulos prefixados tendem a cair.

Essa relação é uma das coisas mais importantes para entender antes de investir no IRFM11. Por que o IRFM11 pode chamar atenção em um ciclo de queda dos juros?

Aqui está uma das características mais interessantes desse ETF. Quando o mercado começa a acreditar que inflação e juros poderão cair nos próximos meses ou anos, as taxas negociadas nos títulos públicos também podem começar a recuar.

Nesse cenário, os títulos prefixados que já fazem parte da carteira do IRFM11 podem se valorizar. Isso significa que o investidor pode se beneficiar não apenas dos juros dos próprios títulos, mas também da valorização das cotas provocada pela marcação a mercado.

E existe outro detalhe importante: o mercado costuma se antecipar. Ou seja, o IRFM11 pode começar a reagir antes mesmo de o Banco Central efetivamente cortar a Selic, caso os investidores passem a acreditar que os juros serão menores no futuro.

IRFM11 é parecido com Tesouro Selic?

Apesar de ambos envolverem títulos públicos, são investimentos com comportamentos diferentes.

O Tesouro Selic acompanha mais de perto a taxa básica de juros e apresenta normalmente uma oscilação bem menor.

Já o IRFM11 possui títulos prefixados, que podem apresentar movimentos maiores de preço.

Por isso, o IRFM11 não deve ser confundido com uma reserva de emergência. Ele tende a fazer mais sentido para quem possui um horizonte de investimento maior e aceita alguma oscilação em busca de oportunidades na renda fixa.

Quais são as principais vantagens do IRFM11?

Para o investidor iniciante, alguns pontos ajudam a entender por que esse ETF pode ser interessante:

- Títulos públicos em uma única cota

- Diversificação automática

- Compra e venda pela Bolsa

- Gestão profissional da carteira

- Exposição aos juros prefixados

- Potencial com queda dos juros

- Rebalanceamento automático

- Praticidade para o investidor

Ou seja, em vez de acompanhar diversos vencimentos e escolher individualmente os títulos públicos, o ETF faz boa parte desse trabalho dentro de uma única estrutura.

E quais são os riscos?

É importante lembrar que renda fixa não significa que o preço do investimento nunca cai.

Se a inflação surpreender para cima ou o mercado começar a acreditar que os juros permanecerão elevados por mais tempo, as taxas dos títulos prefixados podem subir.

Nesse cenário, o preço dos títulos que estão dentro do IRFM11 pode cair e, consequentemente, a cota do ETF também pode apresentar perdas temporárias. Por isso, o investidor precisa estar confortável com alguma volatilidade.

O principal ponto é entender que o IRFM11 não foi criado para simplesmente “andar junto com a Selic”. Ele possui uma dinâmica diferente e responde principalmente às expectativas para os juros futuros.

Como funciona o Imposto de Renda?

Outro ponto interessante está na tributação.

Os ETFs de renda fixa possuem regras próprias de Imposto de Renda e, no caso do IRFM11, a tributação aplicável é de 15% sobre o ganho, independentemente do prazo em que o investidor permaneça com o ETF.

Isso torna a estrutura tributária relativamente simples para quem pretende manter o investimento por períodos mais longos.

Para quem o IRFM11 pode fazer sentido?

O IRFM11 pode ser interessante principalmente para quem já possui investimentos mais conservadores e deseja dar um passo além na diversificação da renda fixa.

Também pode fazer sentido para investidores que acreditam em um cenário de inflação mais controlada e queda das taxas de juros ao longo dos próximos anos.

Mas é importante ter horizonte de investimento adequado e entender que haverá oscilações pelo caminho.

Contudo, se você está começando agora, pense no IRFM11 da seguinte maneira, é como comprar uma “cesta” de títulos públicos prefixados através de uma única cota na Bolsa. Você não precisa escolher cada título individualmente, e a carteira é administrada seguindo um índice. 

Ao mesmo tempo, existe uma característica que não pode ser esquecida: o preço dessa cesta muda todos os dias. Se os juros futuros caírem, o cenário tende a favorecer os títulos prefixados. Se subirem, esses títulos podem sofrer. 

Entender essa relação já coloca o investidor iniciante alguns passos à frente na hora de decidir se o IRFM11 realmente faz sentido dentro da sua carteira.


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