Macroeconomia


Análise | Câmbio | 24.Fev.25

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Gustavo Menezes

Publicado 24/fev2 min de leitura

Dólar fecha em R$5,70 com leilões do Tesouro, tensões tarifárias e medo de nova pandemia

O câmbio encerrou a última sexta-feira em R$5,73 representando uma alta de 0,56% na semana, com redução de 1,34% em fevereiro e baixa de 6,84% no acumulado do ano.

A semana começou tranquila, mas com expectativas de leilões volumosos de títulos prefixados e indexados à inflação, num esforço do Tesouro de equilibrar a estrutura de endividamento federal em meio à participação crescente dos títulos pós-fixados no mix, que em nível demasiado podem sobrecarregar as condições fiscais em meio ao ciclo de aperto monetário atual. O alívio no câmbio que ocorreu com a realização dos leilões é um sinal de que a demanda estrangeira surpreendeu as expectativas, e é mais um indicativo de que a demanda por carry trade tem sido retomada desde os eventos de liquidez em dezembro.

Eventos relacionados às incertezas tarifárias do governo americano impactaram o câmbio, mas esse movimento foi neutralizado por notícias acerca do acordo comercial EUA-China compensando o anúncio de Trump que promete incluir impostos do estilo IVA, que será criado pelo Brasil com a reforma tributária, no cálculo das tarifas globais de importação. Ainda assim, a incerteza comercial continua elevada e superou os níveis da guerra comercial de 2018, sendo um potencial gatilho de aversão ao risco que levaria à nova depreciação cambial. Nesse contexto, ressalta-se também as notícias vindas da China da descoberta de um novo coronavírus com capacidade de infectar humanos. Apesar da baixa probabilidade da ocorrência de uma nova pandemia, em que pese os conhecimentos de políticas públicas adquiridos ao longo dos últimos anos, há o risco de deterioração também nesta pauta.

Em suma, apesar do apetite robusto por investidores estrangeiros pela divisa brasileira, a última semana foi marcada com a aparição de novos fatos que geram incerteza adicional acerca da cotação do câmbio.


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