Macroeconomia


Análise | Câmbio | 17.Fev.2025

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Gustavo Menezes

Publicado 17/fev2 min de leitura

Dólar fecha em R$5,70 com guerra tarifária e inflação americana

O câmbio encerrou a última sexta-feira em R$5,70 representando uma queda de 1,90% na semana, com redução de 1,88% em fevereiro e baixa de 7,35% no acumulado do ano.

A semana começou com renovação das ameaças comerciais, com Trump visando a implementação de uma tarifa global de 25% sobre todo o aço e alumínio importado pelos americanos. Apesar de tal medida impactar diretamente os laços comerciais com o Brasil, o choque inicial da notícia não foi grande o suficiente para mitigar a tendência recente de apreciação do real. O mesmo efeito foi visto nos demais pregões da semana, com visões de um Fed mais hawkish e dados de inflação americanos confirmando um ritmo mais lento de afrouxamento monetário sendo insuficientes para conter a melhora da moeda brasileira.

De fato, o real foi a moeda que mais se apreciou frente ao dólar dentre os pares ao longo da semana, apesar da falta de notícias significativas no âmbito doméstico. Lembramos que, alguns relatórios atrás, mencionamos que a alta cotação do dólar estava pautada numa base “fraca” de comparação, com indícios de baixa liquidez no mercado spot gerando movimentos diários atipicamente voláteis em meio a uma percepção de risco esticada por parte dos estrangeiros, com o CDS saltando 50p.b. em poucos dias. Como resultado, a moeda brasileira apresentava um desconto significativo frente a seus pares emergentes, pautada sob temores fiscais que, apesar de existentes, não apresentaram deterioração fundamental num período tão curto de tempo.

Ainda enxergamos algum espaço para alívio nos fatores domésticos, com uma liquidez que ainda não se recuperou totalmente e um risco-país que ainda pode apresentar melhora marginal. Porém, melhoras mais substantivas dependerão de um cenário externo mais favorável para as moedas emergentes – observa-se um enfraquecimento global do dólar ao longo das últimas semanas que pode ser fruto da reversão do overshooting iniciado com a eleição de Trump, mas que não está fora das movimentações usuais de curto prazo.

Finalmente, seguimos atentos ao equilíbrio de médio prazo em cerca de R$4,70, mas que não deve ser atingido tão cedo sem resolução da incerteza cercando a trajetória fiscal numa aproximação das eleições presidenciais e em possíveis reações do governo frente ao arrefecimento da atividade econômica nas leituras de dados mais recentes.


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