Cripto


O maior hack da história das criptomoedas

Bernardo Pascowitch

Bernardo Pascowitch

Publicado 30/out

O maior hack da história das criptomoedas

Quando surge a notícia de que uma das maiores corretoras de criptomoedas do mundo foi invadida, a primeira reação de muitos investidores é se perguntar se o dinheiro que está lá está seguro. É natural, porque, ao comprar criptomoedas em uma corretora, os ativos ficam sob a guarda dessa instituição, e uma falha de segurança pode afetar milhões de clientes de uma só vez. Em outras palavras: um ataque dessa dimensão pode ser apenas um problema de segurança, ou pode virar uma crise de confiança em todo o setor. A pergunta é em qual dessas situações estamos.

Os números ajudam a dimensionar o cenário. Na noite de quinta-feira (29), cerca de US$ 6,3 bilhões saíram das carteiras da Binance em aproximadamente 20 minutos, quatro vezes o recorde anterior, de US$ 1,5 bilhão, no hack da Bybit em fevereiro de 2025. Cerca de US$ 3 bilhões foram congelados, e a Binance afirmou ter reservado mais de US$ 6,34 bilhões em recursos próprios para cobrir as perdas. O bitcoin chegou a cair para perto de US$ 76,4 mil, menor nível em seis semanas, e cerca de US$ 1,6 bilhão em apostas alavancadas foi liquidado.

A resposta honesta é que ainda é cedo para uma conclusão. A Binance já identificou pontos adicionais de violação, e analistas de blockchain atribuem o ataque a hackers ligados à Coreia do Norte, sem confirmação oficial. Por outro lado, há uma diferença fundamental em relação à quebra da corretora FTX, em 2022: um hack é diferente de uma insolvência. 

A Binance mantinha cerca de US$ 144 bilhões em ativos, e o roubo representa algo próximo de 4% desse total. Ou seja, o problema, por ora, parece estar na segurança da infraestrutura, e não no balanço da empresa. De toda forma, é importante acompanharmos o desenvolvimento desse roubo e os impactos na credibilidade da empresa.

Um outro ponto importante é analisarmos o comportamento do investidor brasileiro. Desde fevereiro de 2026, empresas que prestam serviços com criptoativos precisam de autorização prévia do Banco Central e seguir regras de governança, segurança cibernética e auditoria independente, além da custódia segregada, que impede o uso dos ativos dos clientes em operações da própria empresa. São normas e regras de segurança para, justamente, evitar a ocorrência de episódios de roubo e invasão como os ocorridos na Binance e na Bybit nos últimos anos.

É nesse cenário que se destaca a atuação do Inter, que já é um banco autorizado e supervisionado de forma contínua pelo Banco Central, e, agora, segue esse processo: protocolou em 23 de outubro o pedido de autorização da Inter Digital Assets, criada para atuar como corretora de criptoativos, com intermediação e custódia. Um passo muito importante que trará ainda mais segurança, confiança e credibilidade ao Inter no mercado de criptomoedas brasileiro.

Nesse sentido, é muito importante analisar o banco ou a corretora utilizada no momento de negociar bitcoin e criptomoedas. Utilizar uma grande corretora não é garantia de segurança, tendo em vista os episódios recentes envolvendo a Binance e a Bybit. Por outro lado, o Inter já segue todas as regulamentações do Banco Central do Brasil e está sujeito à supervisão das autoridades brasileiras competentes, além de ter submetido pedido da nova licença cripto ao Banco Central.

Como aprendizado, sempre importante priorizar instituições autorizadas e supervisionadas pelo Banco Central, revisar a concentração dos recursos em uma única plataforma e o tamanho das posições, além de evitar alavancagem. Para quem acumula bitcoin de forma recorrente por meio do Super App do Inter, o cenário não muda o plano, desde que esteja de acordo com o seu perfil de risco.


Compartilhe essa notícia

Receba nossos conteúdos por e-mail.