Termômetro do Mercado, Cenário Macroeconômico, Geopolítica, Fluxos de Capital, Regulação e Perspectivas
O índice de medo e ganância voltou para a faixa de medo e ficou em 36 pontos nesta sexta-feira, contra 48 na sexta-feira passada, quando estava na faixa neutra.
O Bitcoin operou entre US$ 80 mil e US$ 82 mil durante a maior parte das últimas semanas e recuou para perto de US$ 76 mil (cerca de R$ 411 mil), com mínima até o momento perto de US$ 76,3 mil, nesta sexta, abaixo de US$ 77 mil pela primeira vez em mais de um mês.
A leitura é a de um mercado que saiu da faixa lateral para baixo, com o sentimento acompanhando o preço.
Duas notícias do próprio mercado cripto marcaram a semana, em direções opostas.
A boa veio na manhã da quinta-feira. A Intercontinental Exchange (ICE), dona da Bolsa de Nova York, anunciou um acordo com a Trade[XYZ] para levar aos Estados Unidos mercados de contratos perpétuos, que são derivativos sem data de vencimento, construídos sobre a Hyperliquid. A ICE será a operadora exclusiva desses mercados regulados e fará um investimento minoritário na Trade [XYZ]. Ver uma das maiores operadoras de mercados regulados do mundo apostar em um produto nascido no ambiente cripto é um sinal de credibilidade para a Hyperliquid (HYPE) e para o setor.
Do lado negativo, a Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo, sofreu um ataque hacker com impacto estimado em cerca de US$ 6,3 bilhões, o maior já registrado no setor. A Binance diz que a investigação inicial aponta para o computador comprometido de um engenheiro, que teria permitido ao atacante enviar saques não autorizados, e que não há indício de vazamento das chaves das carteiras. Cerca de US$ 3 bilhões foram congelados com ajuda de parceiros do setor, e a empresa afirma que vai cobrir todas as perdas com o seu fundo de reserva e recursos próprios, de modo que os fundos dos clientes ficam protegidos. Os depósitos seguem normais e os saques estão suspensos, com retomada esperada em até 48 horas. Com isso, o Bitcoin recuou e as liquidações de posições alavancadas somaram cerca de US$ 1,5 bilhão em 24 horas, em um dia em que o ataque e a queda das bolsas de tecnologia pesaram ao mesmo tempo. Os dois episódios mostram lados diferentes do mesmo mercado: de um lado, a infraestrutura cripto ganhando espaço dentro do sistema regulado tradicional; de outro, os riscos imprevisíveis de custodiar capital em uma corretora.
O mercado chega ao fim desta semana em posição diferente da anterior. O Bitcoin saiu da faixa de US$ 80 mil a US$ 82 mil e opera perto de US$ 76 mil, o índice de medo e ganância voltou para a faixa de medo, a captação dos ETFs perdeu força, o Fed segue aberto a uma alta em dezembro e o petróleo está acima das máximas em cerca de cinco meses.
Correções que levam o sentimento para a faixa de medo costumam abrir espaço para posicionamento de quem tem horizonte mais longo, e a leitura desta semana caminha nessa direção.
Os próximos dias concentram os principais catalisadores. Na terça-feira acontecem as eleições legislativas americanas, e uma possível ação militar contra o Irã logo depois pode mexer no petróleo e, por tabela, na decisão do Fed. Na sexta-feira da semana que vem, o relatório oficial de emprego de outubro também pode pesar na aposta de juros de dezembro. Um petróleo cedendo, com avanço diplomático, e dados que reduzam a aposta de alta de juros criariam um ambiente mais favorável, com a região de US$ 80 mil como primeiro teste.
Um petróleo mais alto depois das eleições e um emprego forte reforçariam a alta de dezembro e manteriam a pressão, com o preço podendo voltar a testar as mínimas desta semana.
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