A alavancagem voltou ao mercado de criptomoedas: estamos perto de um novo 10/10?
Quando o mercado de criptomoedas começa a ficar otimista, é natural que muitos investidores sintam vontade de aumentar a aposta. Uma das formas mais comuns de fazer isso é a alavancagem, que significa operar com dinheiro emprestado para ampliar os ganhos, mas também as perdas. Nas últimas semanas, vimos justamente esse movimento: a ganância voltou a crescer e a alavancagem também. Em outras palavras: o mercado está ficando mais confiante, e esse é um momento que merece atenção. A pergunta é se estamos perto de um novo episódio de liquidações em massa, como tivemos em 10 de outubro de 2025, ou se o mercado está mais forte neste momento.
Os números ajudam a dimensionar o cenário: o Índice de Medo e Ganância das criptomoedas está em 68, na zona de ganância, depois de marcar 27 em 12 de agosto. Ao mesmo tempo, o total de contratos futuros de bitcoin em aberto (o open interest, que mede as apostas alavancadas ainda ativas) subiu cerca de 4% desde 12 de outubro, para aproximadamente 645 mil bitcoins.
O open interest atingiu o pico em 22 de setembro e hoje está cerca de 10% abaixo desse nível. Já a alavancagem em relação ao tamanho do mercado estava em 3,2% do valor de mercado do bitcoin no início de outubro, contra 3,7% às vésperas do 10/10. Ou seja, o mercado carrega quase tanta alavancagem quanto antes daquele evento, mas ainda sem ultrapassá-la, o que deveria ser, claramente, um sinal de atenção aos investidores. Não que teremos o mesmo evento de quedas e de liquidações, mas temos que observar e acompanhar o que está acontecendo.
Vale lembrar o que foi o 1010. Em 10 de outubro de 2025, cerca de US$ 19 bilhões em posições alavancadas foram liquidados em um único dia, a maior liquidação da história. Cinco dias antes, o índice de medo e ganância estava em 74. Hoje está em 68. De toda forma, é importante saber que há diferenças: as taxas de funding (o custo para manter posições compradas) estão entre 7% e 9% ao ano, um viés moderado para compras, e não o excesso visto no pré-10/10.
Um outro ponto importante é que o mercado já passou por ajustes de posição neste mês. Em 7 de outubro de 2026, uma queda do bitcoin para perto de US$ 84 mil liquidou cerca de US$ 400 milhões em posições compradas em apenas uma hora, e a Bitfinex aponta novos desmontes de posição em 8 e 15 de outubro, com mínima de US$ 79,8 mil nesta última data.
O calendário traz gatilhos próximos: o vencimento semanal de opções em 23 de outubro, a decisão de juros do Federal Reserve em 28 de outubro, o índice de inflação PCE em 29 de outubro, o grande vencimento mensal de opções em 30 de outubro, com US$ 11,2 bilhões em valor nocional, e as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos em 3 de novembro. De todos os pontos, talvez o mais importante sejam as eleições americanas no começo de novembro, algo que poderá trazer bastante volatilidade.
Por isso, a leitura correta aqui não é uma previsão, mas uma condição. O bitcoin está em uma faixa entre US$ 81,3 mil e US$ 84,4 mil. Se romper US$ 84,4 mil com funding perto de 9%, repete-se o mesmo cenário de posicionamento que foi desfeito em 8 e 15 de outubro. Se, ao contrário, fechar abaixo de US$ 81,3 mil, aumenta o risco de um teste da mínima de US$ 79,8 mil. São os pontos que precisamos observar.
Em grande resumo, alavancagem crescendo junto com a ganância é sinal de atenção, não de direção. Em momentos assim, vale revisar o tamanho das posições e evitar alavancagem, justamente o combustível das liquidações. Para quem acumula bitcoin de forma recorrente, o cenário não muda o plano, desde que esteja de acordo com o seu perfil de risco.
