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Carteira de Ações, BDRs e ETFs - Setembro

Victor Lima (Capita)

Victor Lima (Capita)

Publicado 02/set

Resumo

Seleção mensal equilibrada entre ativos defensivos e exposição internacional

Agosto foi um mês de intensa movimentação nos mercados globais, marcado por decisões de política monetária, divulgação de indicadores de inflação e emprego e mudanças relevantes nas expectativas dos investidores para o comportamento dos juros no Brasil e no exterior. Em meio a esse ambiente de elevada volatilidade, o Ibovespa encerrou o mês praticamente estável, com uma leve queda de 0,33%, após períodos de forte oscilação ao longo das semanas. Apesar do resultado mensal pouco expressivo, entendemos que o comportamento do índice deve ser analisado sob uma perspectiva mais ampla: o mercado brasileiro passou por uma importante reprecificação ao longo dos últimos meses, enquanto as expectativas para o ciclo de juros doméstico seguem criando um ambiente potencialmente favorável para os ativos de risco.

No Brasil, a manutenção da Selic em 14% ao ano representa um patamar ainda bastante restritivo, mas os sinais recentes de desaceleração inflacionária e a evolução das expectativas reforçam a possibilidade de continuidade do ciclo de flexibilização monetária. Em linha com a nossa leitura e com o cenário apresentado pelo time de Macro Research do Inter após a divulgação do IPCA de julho, trabalhamos com a expectativa de cortes de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões do Copom, levando a taxa Selic para aproximadamente 13,25% ao final de 2026. Caso esse processo se confirme, teremos uma mudança gradual, porém relevante, na dinâmica de precificação dos ativos brasileiros. A queda dos juros tende a reduzir o custo de capital das empresas, melhorar as condições de financiamento, aumentar a atratividade relativa da renda variável e favorecer setores mais sensíveis à política monetária, como construção civil, varejo e empresas ligadas ao consumo doméstico.

Esse movimento também pode abrir espaço para uma recuperação mais consistente de companhias que ainda negociam a múltiplos historicamente descontados, criando oportunidades assimétricas entre risco e retorno. Dentro dessa perspectiva, continuaremos acompanhando de perto o setor financeiro, que permanece relevante na composição da nossa estratégia, além de direcionarmos atenção especial ao segmento de locação de veículos e a empresas que apresentam fundamentos sólidos, geração de caixa e potencial de reprecificação diante de um cenário de juros menores. Nosso objetivo permanece o mesmo: selecionar ativos com fundamentos e assimetrias favoráveis, capazes de capturar movimentos de valorização e, consequentemente, buscar uma performance superior ao nosso benchmark, o Ibovespa.

No ambiente internacional, entretanto, não podemos ignorar os fatores de risco que continuam presentes. A trajetória dos juros nas principais economias, especialmente nos Estados Unidos, os indicadores de inflação e emprego e as questões geopolíticas permanecem como importantes vetores de volatilidade para os mercados. O cenário envolvendo o Oriente Médio e seus potenciais impactos sobre o preço do petróleo merece atenção especial, uma vez que alterações relevantes na commodity podem influenciar as expectativas de inflação e, consequentemente, a condução da política monetária global. Por isso, embora o cenário doméstico esteja gradualmente mais construtivo, manteremos uma postura seletiva e disciplinada diante dos movimentos externos.

Do ponto de vista técnico, o Ibovespa também apresenta sinais que merecem nossa atenção. Após um movimento consistente de valorização nos últimos dias, o índice realizou uma correção e voltou a testar uma região de suporte relevante, justamente em uma área importante para a manutenção da estrutura de alta. A defesa desse suporte, especialmente após o teste da região por mais de uma vez, aumenta a possibilidade de formação de um novo pivô de alta e de retomada do movimento comprador. A correção observada entre os meses anteriores, portanto, não deve ser interpretada exclusivamente como um movimento de fraqueza, mas também como uma janela de oportunidade para investidores que buscam construir posições em ativos de qualidade a preços mais atrativos.

É justamente essa combinação que nos deixa construtivos para setembro: uma Bolsa brasileira que passou por uma correção relevante, empresas negociando com descontos interessantes, perspectiva de continuidade do ciclo de queda da Selic e possibilidade de retomada do fluxo de capital estrangeiro para o Brasil. Caso esse conjunto de fatores se confirme, podemos ter um ambiente bastante favorável para a renda variável doméstica, principalmente para empresas e setores que apresentam maior sensibilidade à queda dos juros. O início de setembro, somado ao comportamento observado nos últimos dias de agosto, reforça essa percepção positiva, mas sem abrir mão da cautela. Mais do que simplesmente estar exposto à Bolsa, entendemos que o momento exige estratégia, seletividade e sabedoria para definir onde e quando aportar.

Seguimos, portanto, atentos aos movimentos do mercado e preparados para aproveitar as oportunidades que surgirem ao longo do mês. A nossa visão é clara: é momento de olhar para a Bolsa Brasil, mas com disciplina e critério. Nos próximos slides, apresentamos os ativos selecionados para compor a Carteira Mensal Capita de setembro, distribuídos entre ações, BDRs e ETFs, buscando uma composição equilibrada entre qualidade, potencial de valorização e assimetria de risco e retorno.

Dito isso, confira a carteira recomendada para setembro!


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