Renda Variável


Criptoworld | Ed.06.25

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Bruno Moniz

Publicado 14/mar7 min de leitura

Resumo

Como a saída dos ETFs e a nova Reserva Estratégica dos EUA estão revirando o otimismo dos investidores.

Criptos na Semana

Caros criptoinvestidores, existe aquele momento na festa em que todos começam a se perguntar se já está na hora de ir embora ou se a melhor parte ainda está por vir - e é exatamente assim que o mercado cripto se encontra nesta semana. Entre sussurros de "topo de mercado" e gritos de "ainda é só o começo", vivemos um momento de profunda reflexão sobre em qual fase do ciclo realmente estamos. O mercado parece estar jogando um complexo jogo de xadrez, onde cada movimento pode significar tanto o início de uma nova alta quanto o prenúncio de uma correção mais profunda.

Os números da semana ilustram perfeitamente essa dualidade: o Bitcoin cedeu 6,40%, recuando para US$ 83.356,41, enquanto o Ethereum demonstrou ainda mais fragilidade com uma queda de 12,85%, atingindo US$ 1.898,87. O valor total do mercado cripto encolheu US$ 160 bilhões, fechando em US$ 2,7 trilhões, com o TVL em DeFi acompanhando o movimento e recuando para US$ 152,58 bilhões. Em meio ao mar vermelho, alguns projetos como Story (+18,96%) e Celestia (+12,37%) nadaram contra a corrente, provando que ainda há espaço para movimentos isolados de alta.

Esta semana, nosso relatório vai desvendar a questão do momento: como interpretar a massiva saída de capital dos ETFs de Bitcoin justamente quando o governo americano decide criar sua própria reserva estratégica da criptomoeda?

Entre Fluxos e Ciclos: O Momento Crítico do Bitcoin e a Nova Reserva Estratégica dos EUA

O mercado cripto está vivendo um momento de contrastes. Por um lado, vemos nos EUA uma saída maciça de capital dos ETFs de Bitcoin. Por outro, estamos no período pós-halving que tradicionalmente impulsiona novos recordes. E para completar, o governo dos EUA acaba de criar uma Reserva Estratégica de Bitcoin. Vamos desvendar esse quebra-cabeça?

Os ETFs de Bitcoin registraram sua quarta semana consecutiva de saídas, com quase $800 milhões abandonando o barco apenas na última semana, totalizando mais de $4,5 bilhões no último mês. Na sexta-feira, $409 milhões deixaram esses fundos em um único dia, com os ETFs da Ark e Fidelity liderando as retiradas. A maior saída em um único dia ocorreu na sexta-feira, com $409 milhões retirados, principalmente dos ETFs ARKB da Ark Invests e FBTC da Fidelity.

Apesar do otimismo gerado pelo “White House Digital Summit” – um encontro pioneiro realizado na Casa Branca que reuniu líderes da indústria cripto para discutir o futuro dos ativos digitais e sua regulamentação – as saídas persistentes indicam que o sentimento institucional permanece cauteloso. Além disso, os ETFs de Ethereum continuam a registrar fluxos negativos, marcando sua segunda semana consecutiva de saídas.

A Reserva Estratégica de Bitcoin: O Tio Sam Entra no Jogo

Em um movimento que poucos imaginariam há alguns anos, o Presidente Trump assinou uma ordem executiva criando a Reserva Estratégica de Bitcoin e o Estoque de Ativos Digitais dos EUA.

Em termos práticos: o governo americano vai juntar todo o bitcoin que apreendeu de criminosos ao longo dos anos (estimado em $17 bilhões) e, em vez de vendê-lo, vai mantê-lo como reserva nacional – similar ao que faz com ouro e petróleo.

A ordem determina que esse bitcoin não será vendido e servirá como ativo de reserva para "objetivos governamentais". Também autoriza o desenvolvimento de estratégias para comprar mais bitcoin, desde que não aumente o déficit ou a dívida nacional.

Curiosamente, após o anúncio, o preço do Bitcoin caiu de $90.000 para $85.000 – um clássico caso de "compre no boato, venda no fato". 

Um Ciclo Diferente: Bitcoin Pós-Halving em 2025

Historicamente, os topos do Bitcoin ocorrem aproximadamente a cada 48 meses. Com o último grande pico em novembro de 2021, teríamos apenas 9 meses pela frente para completar esse ciclo tradicional, caso o padrão se mantenha.

Este ciclo, porém, tem um sabor diferente. Após o halving, o Bitcoin costumava disparar para novos recordes de forma explosiva (292 dias para fazer 100% de valorização após o halving de 2016 e 190 dias após o halving de 2020). Desta vez, embora tenha ultrapassado os US$90.000, há uma sensação generalizada de que estamos apenas "na metade da festa". O comportamento pós-halving parece mais contido.

A famosa janela de 600 dias após o halving – quando tipicamente vemos as maiores altas – parece estar seguindo um roteiro diferente. 

Tivemos nas últimas semanas o mercado estava predominantemente vermelho, a semana recente trouxe um respiro para algumas altcoins, que registraram altas consideráveis.

Historicamente, esse tipo de comportamento pode representar o que veteranos chamam de "último suspiro" antes de um "inverno cripto" mais rigoroso – período em que altcoins geralmente perdem valor significativo em relação ao Bitcoin.

Este padrão merece atenção: apesar das altas recentes em alguns projetos, o mercado como um todo não parece estar muito receptivo às criptomoedas de menor capitalização no médio prazo. Projetos mais consolidados como Bitcoin e Ethereum tendem a apresentar maior resiliência em cenários mais desafiadores.

Seria este o efeito da maior participação institucional? Ou estamos realmente diante de um novo paradigma nos ciclos do Bitcoin?

Notícias da Semana

FMI e El Salvador em conflito sobre Bitcoin

Em um momento crucial para o mercado de criptomoedas, observamos uma interessante divergência entre instituições globais: enquanto o FMI tenta limitar a exposição de El Salvador ao Bitcoin através de um acordo de US$ 1,4 bilhão, os Estados Unidos, sob a administração Trump, estabelece uma reserva estratégica da criptomoeda avaliada em US$ 17,3 bilhões. O presidente salvadorenho Nayib Bukele, pioneiro na adoção do Bitcoin como moeda legal, desafia abertamente as restrições do FMI e continua expandindo suas reservas, que já acumulam ganhos significativos. Com os EUA sinalizando forte apoio ao setor através de sua nova reserva estratégica, que inclui não apenas Bitcoin mas também outros ativos digitais, o mercado cripto pode estar entrando em uma nova fase de legitimação institucional, apesar das resistências de organizações financeiras tradicionais e de um cenário macro desafiador para os ativos de risco. (link da notícia)

CVM suspende tokens de consórcio do MB e ameaça multa diária de R$100 mil

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou a suspensão da venda de tokens de cotas de consórcio do Mercado Bitcoin, estabelecendo multa diária de R$100 mil em caso de descumprimento. A decisão classifica esses tokens como valores mobiliários não autorizados, exigindo sua imediata retirada de negociação. O MB, que oferecia 11 tokens lastreados em cotas de consórcio, afirma estar operando em conformidade com orientações anteriores da CVM. Este caso reflete um cenário maior de incerteza regulatória no mercado cripto brasileiro, similar ao que ocorreu nos EUA com a SEC nos últimos anos. Essa situação mostra a necessidade urgente de um marco regulatório mais claro para produtos tokenizados, enquanto o setor busca equilibrar inovação financeira com conformidade regulatória. O episódio pode impactar temporariamente outras empresas com ofertas semelhantes no mercado nacional. (link da notícia)

Novo ETF da Bitwise reúne empresas com mais de 1000 BTC em reserva

A Bitwise lançou um ETF inovador chamado "Bitcoin Standard Corporations", que rastreia empresas detentoras de no mínimo 1000 Bitcoins em seus tesouros corporativos. Liderado pela Strategy, que possui mais de 499 mil BTC (aproximadamente US$ 33,1 bilhões), o fundo representa uma abordagem única no mercado financeiro, agrupando organizações não por setor de atuação, mas por compartilharem uma estratégia comum de adoção do Bitcoin como reserva de valor. O ETF reflete uma tendência crescente entre empresas que buscam proteção contra instabilidades do mercado tradicional, com participações corporativas totais em Bitcoin já superando US$ 54 bilhões. Esta movimento monstra uma maturação do mercado cripto, onde grandes corporações não apenas reconhecem o potencial do Bitcoin como ativo de reserva, mas também comprometem quantias significativas de capital, potencialmente influenciando outras empresas a seguirem o mesmo caminho. (link da notícia)

Méliuz começa a adotar Bitcoin como reserva corporativa

A Méliuz tornou-se a primeira empresa brasileira listada em bolsa a adotar Bitcoin como estratégia de tesouraria, investindo R$ 23,57 milhões (cerca de 45,7 BTC) - equivalente a 10% de seu caixa. A decisão segue uma tendência global iniciada pela Strategy (antiga MicroStrategy), que já acumulou mais de US$ 33 bilhões em Bitcoin. Este movimento ganha ainda mais relevância com o lançamento do ETF da Bitwise focado em empresas que mantêm Bitcoin como reserva de valor, sinalizando uma crescente institucionalização do mercado cripto. Embora analistas da XP demonstrem cautela quanto à decisão da Méliuz, o mercado reagiu positivamente com alta de 16,4% nas ações. (link da notícia)


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