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Criptoworld | Ed.05.25

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Bruno Moniz

Publicado 28/fev7 min de leitura

Resumo

ByBit Bye Bye: Como US$ 1,5 Bilhão Desapareceram e Levaram o Otimismo do Mercado Junto.

Criptos na Semana

Queridos investidores, quando na semana passada brincamos que o mercado cripto parecia um episódio de Black Mirror, não imaginávamos que isso seria apenas o trailer do que estava por vir. Se você é daqueles que gosta de emoções fortes, essa semana superou qualquer roteiro de Hollywood: tivemos um verdadeiro banho de água fria no mercado com correções que fizeram até os holders mais experientes respirarem fundo. O Índice de Medo e Ganância despencou para níveis não vistos desde julho de 2022, mostrando que o sentimento do mercado está no modo "medo extremo".

Os números não mentem e refletem a intensidade do momento: um verdadeiro "mar vermelho" tomou conta do mercado, com o Bitcoin recuando 18,88% para US$ 80.254,25 e o Ethereum mergulhando 24,15% para US$ 2.129,41. Para ter uma ideia da dimensão do movimento, de todo o top 100 apenas duas criptomoedas conseguiram manter-se no verde, com destaque para a Story, que desafiou a gravidade com seus 89,33% de alta. O TVL em DeFi também sentiu o baque, recuando de US$ 193,18 bilhões para US$ 161,03 bilhões.

Nesta edição, vamos destrinchar o que está por trás desse movimento intenso do mercado, analisando o hack bilionário da ByBit que abalou a confiança dos investidores e provocou uma onda de vendas em pânico. Prepare o café (ou algo mais forte), porque vamos entender como US$ 1,5 bilhão em criptomoedas foram roubadas em questão de horas e quais as consequências desse evento para o futuro do mercado. Afinal, como dizem os veteranos: é nos momentos de medo extremo que as melhores oportunidades aparecem.

O Maior Hack Cripto da História: tudo que sabemos até agora sobre o Roubo de US$ 1,5 bilhão da ByBit

Parece que entramos definitivamente em um episódio de Black Mirror no mundo das criptomoedas. Após uma semana já bastante turbulenta para o mercado, com correções significativas e um cenário que deixou muitos investidores apreensivos, sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025, entrou para a história como o dia do maior hack de criptomoedas já registrado. A Bybit, uma das maiores corretoras do mundo, sofreu um ataque que resultou no roubo de aproximadamente US$ 1,5 bilhão em criptomoedas, principalmente Ethereum.

O que aconteceu e tudo que sabemos até agora. O ataque envolveu a manipulação de uma transação de Ethereum de uma cold wallet (carteira fria, um armazenamento offline de criptomoedas). Os hackers conseguiram explorar vulnerabilidades em um processo conhecido como "blind signing" (assinatura cega) - um método onde os usuários assinam transações sem poder ver todos os detalhes do que estão autorizando.

A investigação revelou um plano meticuloso: os atacantes implantaram contratos maliciosos em 18 de fevereiro e, três dias depois, criaram uma transação de múltiplas assinaturas que incluía até mesmo o Ben Zhou, CEO da Bybit como um dos signatários. Essa transação atualizou o contrato da Bybit para apontar para um código malicioso, permitindo que drenassem a carteira de 401.347 ETH, além de outras variantes de Ethereum como 8.000 mETH, 90.375 stETH e 15.000 cmETH.

Tecnicamente, os hackers comprometeram o site da plataforma Safe.Global, usada pela Bybit para gerenciar suas carteiras multisig (que exigem múltiplas assinaturas para autorizar transações). Isso permitiu que interceptassem e modificassem transações legítimas, redirecionando os fundos para suas próprias carteiras.

A resposta exemplar do CEO e equipe da Bybit

O que surpreendeu positivamente a comunidade cripto foi a reação rápida e transparente da Bybit. Apenas duas horas após o hack, o Ben Zhou já estava na rede social X informando sobre o incidente e compartilhando a transação do roubo para que a comunidade pudesse acompanhar. Esta atitude aberta contrasta fortemente com casos passados de exchanges que demoraram dias ou até semanas para admitir violações.

Mais impressionante ainda, o CEO realizou uma live no mesmo dia com mais de 1h30 de duração, explicando detalhadamente o que havia acontecido, respondendo perguntas em tempo real e mantendo total transparência sobre a situação. Essa comunicação clara e constante através de suas redes sociais criou um canal direto com os usuários afetados e a comunidade cripto em geral.

A caçada começa: blockchain e a transparência que salva

O mundo cripto tem uma vantagem única quando se trata de investigar crimes financeiros: as blockchains públicas são totalmente transparentes. No momento em que os fundos foram transferidos, dezenas de analistas forenses e investigadores de criptomoedas já estavam rastreando cada movimento dos hackers.

A Arkham Intelligence, uma plataforma especializada em análise de blockchain, ofereceu um prêmio de US$ 33 mil para quem identificasse a possível identidade dos hackers. Enquanto isso, ZachXBT, um dos mais respeitados investigadores independentes de crimes em cripto, rapidamente conectou os pontos e, em questão de minutos, apresentou evidências do envolvimento do Lazarus Group - um notório grupo hacker financiado pela Coreia do Norte.

As tentativas dos hackers de lavar o dinheiro estão sendo monitoradas em tempo real. Para transformar os ETH roubados em dólares, eles precisariam usar corretoras centralizadas, mas estas podem identificar facilmente fundos ilícitos. Por isso, os criminosos estão recorrendo a técnicas complexas de "mixagem" - tentando obscurecer a origem dos fundos através de múltiplas transações e conversões entre diferentes criptomoedas.

Em uma demonstração impressionante de cooperação da indústria, exchanges como Binance, OKX, Bitfinex e outras estão trabalhando juntas para marcar carteiras suspeitas e congelar fundos caso tentem passar por suas plataformas.

A Bybit reage: como sobreviver ao tsunami?

Para tranquilizar seus usuários, a Bybit ofereceu uma recompensa de US$ 140 milhões para quem ajudasse a rastrear e recuperar os fundos roubados, prometendo ainda pagar 10% do valor recuperado como bônus.

O CEO revelou que a empresa possui um "empréstimo-ponte" que cobre 80% do valor perdido. Em termos simples, um empréstimo-ponte é um financiamento temporário que permite à empresa manter a liquidez enquanto trabalha em soluções de longo prazo. Isso significa que, mesmo com o golpe, a Bybit tem recursos suficientes para honrar todos os seus compromissos com os clientes.

A corretora não tem planos imediatos para comprar grandes quantidades de Ethereum para compensar as perdas, o que ajudou a evitar mais volatilidade no mercado. Em vez disso, estão focando em gerenciar sua liquidez de forma eficaz e garantir que os saques continuem funcionando normalmente.

O que isso significa para o mercado?

Este incidente causou uma queda temporária nos preços, com o Bitcoin recuando para US$ 82 mil. No entanto, a resposta rápida e transparente da Bybit ajudou a conter um pânico maior.

A boa notícia é que a indústria está cada vez mais preparada para lidar com esses ataques. A transparência do blockchain, a cooperação entre exchanges e a evolução das ferramentas forenses estão tornando cada vez mais difícil para criminosos converterem criptomoedas roubadas em dinheiro utilizável.

Esse episódio, que se desenrolou após uma semana de turbulência e correções acentuadas, afetou diretamente as 10 principais criptomoedas, abalando a confiança dos investidores. O cenário atual aponta para um mercado que, no curto a médio prazo, deve se manter em tendência baixista e lateral, exigindo cautela e uma reavaliação. Abaixo, temos um gráfico mostrando a variação semanal do top 10 das criptomoedas.

Enquanto a caçada aos fundos continua, uma coisa é certa: mesmo no maior hack da história das criptomoedas, a transparência e a colaboração da comunidade blockchain demonstram a resiliência deste ecossistema ainda jovem, mas cada vez mais maduro.

Notícias da Semana

DREX segue firme: BC brasileiro mantém desenvolvimento do real digital mesmo após proibição de CBDC nos EUA 

O Banco Central do Brasil reafirma seu compromisso com o DREX (real digital) mesmo após os EUA proibirem moedas digitais de bancos centrais em seu território. Fabio Araujo, coordenador do projeto, explica que a realidade de países emergentes demanda soluções diferentes das grandes economias. Enquanto os EUA podem se contentar com stablecoins privadas devido à força global do dólar, o Brasil precisa de uma CBDC para garantir eficiência e inclusão financeira. O projeto entra em 2025 focando em governança e casos de uso, mas enfrenta desafios importantes na questão da privacidade - um aspecto crucial que o BC ainda busca equilibrar com as exigências da LGPD. Como um dos casos mais observados globalmente, o DREX pode começar a chegar à população "em breve", embora precise resolver questões técnicas e regulatórias antes do lançamento completo. (link da notícia)

Bank of America de Olho no Dólar Digital: O Gigante Tradicional Quer Sua Fatia do Bolo Cripto

O Bank of America está pronto para mergulhar no mundo das criptomoedas, mas com um pé na cautela. Brian Moynihan, CEO do banco, revelou o interesse em lançar uma stablecoin própria - uma criptomoeda que mantém paridade com o dólar americano, funcionando como uma versão digital da moeda tradicional. Porém, o banco está esperando o sinal verde dos reguladores americanos antes de dar esse passo. Esta movimentação reflete uma tendência maior: mesmo sem uma moeda digital oficial do governo (CBDC), os EUA estão fortalecendo sua presença no mercado cripto através de stablecoins institucionais. Com a possível aprovação de novas regulamentações em 2025 e o apoio do governo Trump ao setor, podemos estar prestes a ver uma onda de bancos tradicionais entrando nesse mercado, o que poderia aumentar significativamente a capilaridade da tecnologia blockchain no sistema financeiro convencional. (link da notícia)

Estados conservadores rejeitam Bitcoin como reserva, mas batalha continua nos grandes centros

A recente rejeição de projetos para criar reservas estaduais de Bitcoin em Montana, Dakota do Norte, Dakota do Sul e Wyoming marca um momento importante, mas não definitivo, para a adoção institucional de criptomoedas nos EUA. Embora esses estados tradicionalmente conservadores tenham votado contra, citando preocupações com volatilidade, a verdadeira prova de fogo virá dos estados mais populosos e economicamente influentes, como Ohio, que mantém uma postura otimista sobre a iniciativa. O conceito de reserva estadual de Bitcoin - essencialmente um fundo governamental que inclui criptomoedas em sua carteira de investimentos - ganhou destaque após propostas do presidente Trump e da senadora Lummis. Com 24 estados ainda considerando projetos similares, o debate está longe do fim. A decisão desses estados menores pode ser mais um reflexo de seu conservadorismo tradicional do que um indicador definitivo do futuro das reservas cripto nos EUA. (link da notícia)

Ethereum prepara atualização Pectra: promessa de taxas menores e mais flexibilidade para usuários

A Ethereum, segunda maior blockchain do mundo, está prestes a receber uma importante atualização em março. A "Pectra" promete resolver dois dos principais gargalos da rede: altas taxas e limitada capacidade de processamento. Entre as novidades mais interessantes está a possibilidade de pagar taxas com outras criptomoedas além do ether, e um aumento significativo no limite de staking - de 32 para 2.048 unidades. A atualização chega em momento crucial, com a Ethereum enfrentando forte concorrência de redes como a Solana. A implementação será dividida em duas fases, com a segunda prevista para o final de 2025, focando em otimizações de armazenamento de dados. (link da notícia)

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