Evidências apontam para atividade mais branda
O preço dos imóveis residenciais no Brasil apresentou nova alta em janeiro, com dados do Fipezap indicando variação de 0,59% no mês e 7,97% nos últimos 12 meses. Simultaneamente, nosso indicador composto de preços aponta variação de 8,21% em 12 meses referente a dezembro. Aluguéis avançaram 0,96% em dezembro e 13,16% nos últimos 12 meses, continuando o ritmo de desaceleração e indo em convergência com o aumento de preços.

A leitura qualitativa dos dados de preços e aluguéis, em conjunto com o pipeline da construção indicado pela Abrainc, demonstram certo arrefecimento na atividade imobiliária em particular para o segmento do Minha Casa Minha Vida (MCMV), enquanto prévias mais recentes do Cadastro Nacional de Obras (CNO), da receita federal, também indicam um ritmo de construção menos potente para o segmento de médio-alto padrão; apesar da evidência ainda ser preliminar, em particular dado o bom estado do mercado imobiliário, enfatizamos que o lado da oferta possui crédito menos regulado que o lado da demanda no Brasil, e pode constituir um antecedente para um enfraquecimento da demanda nos próximos meses como consequência do aperto de juros promovido pelo Banco Central.

INCC acelera, e custos de trabalho despontam
O INCC apresentou alta de 0,83% em janeiro acumulando variação de 7,13% em 12 meses, contra os 4,56% registrados no IPCA e aproxima-se dos 8,21% registrados na média de preços de imóveis. A contribuição veio principalmente da mão de obra, que subiu 1,27% no mês contra 0,52% para materiais. Apesar dos aumentos maiores para mão de obra serem comuns no início de ano por conta dos reajustes anuais de salário, a difusão estadual dos custos de trabalho indica uma alta mais disseminada que o usual, e segue como um ponto de observação para os próximos meses. O qualitativo dos materiais no Brasil indica uma pressão de preço ainda benigna, mas que pode sofrer com o repasse cambial.

EUA: guerra tarifária pode impactar construção
Em janeiro vimos uma variação mensal de -10,5% e -9,8% no volume vendas e das licenças de construção, respectivamente. Apesar das variações negativas, a interpretação das evidências regionais apontam para um aquecimento marginal, com financiamentos se tornando mais atrativos desde o último relatório e condições de oferta indicando um mercado mais apertado, com imóveis vendendo mais rápido do que nas leituras anteriores e um pipeline da construção mais sólido do que anteriormente visto. Tais mudanças, porém, foram marginais e ainda não constituem quebra de tendência para a conjuntura recente do mercado, que continua marcado por falta de apetite e ausência de pressão nos preços de imóveis.

No tema de custos, por outro lado, notamos surpresa motivada pelos custos de materiais, situação possivelmente motivada por reações antecipadas à guerra tarifária que deverá deixar insumos chave, como o aço, mais caros. É possível que hajam repasses para o Brasil, mas não vemos tal situação por ora, e a falta de apetite pela casa própria faz com que os impactos da alta dos custos de construção nos preços de imóveis sejam incertos, visto que as construtoras terão mais dificuldades de repasse do que em 2021. Assim, é possível que as restrições se manifestem do lado da oferta, com um ritmo menor de construções, mantendo a tendência recente.

Nos preços de imóveis, notamos variação mensal de 0,46% no Case-Shiller e 0,64% no nosso indicador composto para dezembro, enquanto o Realtor indica leve alta, de 0,50%, para fevereiro. Enquanto isso os aluguéis mensurados oficialmente devem manter arrefecimento ajudando a tendência de desinflação, com a Zillow apontando variação anual de 3,48% contra os 4,24% registrados no indicador da BLS, que é mais defasado.
