Macroeconomia


Inter Forecast | Revisão de Cenário | Fev.25

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Rafaela Vitória

Publicado 14/fev2 min de leitura
Principais Indicadores Projetados

Selic em 14,75% ao final do ciclo

Ajustamos nosso cenário de alta para a Selic para 14,75% ao final do ciclo. Esperamos que o Copom efetive a alta de 1 p.p. na próxima reunião em março, conforme antecipado pelo último comunicado, e faça um ajuste final de 0,50 p.p. em maio. Os sinais de desaceleração da atividade e a acomodação do cambio em R$5,80 são os principais fatores para uma pausa no ciclo a partir de junho.

No cenário atual, ainda vemos um risco de uma desaceleração mais acentuada da atividade levando a uma pausa já em maio, com a Selic terminal em 14,25%. Nesse cenário alternativo, a execução do orçamento público considera os cortes de gastos anunciados e resultaria em um menor impulso fiscal, elevando a potência da política monetária considerando o choque de juros já implementado – alta de 3,75 p.p. na Selic e um juro real estimado de quase 10% para os próximos 12 meses, com impacto mais significativo na oferta de crédito.

A taxa deve ser mantida no elevado patamar até uma redução mais clara da inflação, acompanhada de reduções também nas expectativas para 2026.

Desaceleração do PIB

Revisamos nossa projeção do PIB de 1,7% para 1,5% em 2025 e mantemos em 2,2% em 2026. Os dados do 4º trimestre já indicam a desaceleração da atividade e esperamos um crescimento do PIB de 0,5% no último trimestre, encerrando o ano de 2024 em 3,4%.  Para 2025, esperamos que a desaceleração se intensifique, resultado do maior aperto monetário e redução da oferta de crédito combinado com a ausência de novo impulso fiscal. O crescimento esperado de 1,5% para 2025 deverá ser resultado do crescimento maior no primeiro semestre, com o melhor desempenho do agro e o consumo das famílias ainda em território positivo, mas com PIB levemente negativo no segundo semestre.

O risco de crescimento maior em 2025 depende de novas medidas de estímulo pelo governo. Por outro lado, esses potenciais anúncios podem levar a uma nova deterioração das condições financeiras, com desvalorização do cambio e nova aceleração da inflação, resultando em retomada do ciclo de alta de juros e comprometendo o crescimento também em 2026.

Inflação deve chegar a 5,2% em 2025

Revisamos nossa projeção de inflação de 4,9% para 5,2% em 2025 e de 3,9% para 4,2% em 2026. A deterioração da inflação de serviços e a alta do cambio devem manter o IPCA acima de 5% ao longo de 2025 com uma inércia maior para 2026, apesar do cenário mais restritivo da política monetária. A recente alta das commodities também impactou os preços de alimentos e deve resultar em reajustes de bens industriais à frente. Uma desaceleração maior do crédito e da atividade pode resultar em uma queda mais acelerada da inflação no segundo semestre, por outro lado, o cenário externo de economia mais aquecida nos EUA e risco fiscal no radar podem voltar a impactar o cambio e gerar novas pressões.

Revisamos nossa projeção de cambio de R$6,00 para R$5,90 em 2025.  Após o pico de R$6,30 em dezembro, o real voltou a apreciar no começo de 2025 e ajustamos nossa expectativa para R$5,90.  Apesar do maior diferencial de juros e recente alta das commodities, o risco de nova expansão fiscal deve continuar no radar impedindo uma valorização mais significativa da moeda.

Risco fiscal e cenários para 2025 e 2026

A aceleração na dívida pública e o desafio de cumprir o arcabouço fiscal permanecem como principal risco no cenário em 2025 e 2026. Depois de chegar a 76% do PIB, com custo médio de 11%, estimamos nova aceleração da dívida pública para 79% em 2025.

A LOA 2025 ainda passa por revisão com estimativa de aprovação somente em março. Mesmo considerando uma revisão do crescimento de despesas, após a aprovação das medidas de ajuste em dezembro, estimamos déficit de R$80 bilhões no ano, ou 0,6% do PIB, próximo do cumprimento do limite da meta (que exclui R$40 bilhões de pagamento de precatórios).

O risco fiscal deve permanecer no radar com potenciais propostas de gastos fora do arcabouço e outros parafiscais, como o recente exemplo dos R$6 bilhões do programa pé de meia. Além disso, para 2026, a discussão da reforma do imposto de renda e isenção de IR para rendimentos até R$5 mil, o que pode injetar R$50 bilhões de renda pode novamente deteriorar o resultado fiscal em ano de eleição.

No longo prazo, as regras de  desvinculação de gastos e o reajuste real dos salário mínimo, que impactam vários programas sociais, precisam passar por uma revisão para a viabilidade do ajuste fiscal de maneira estrutural.

Nos EUA, pausa no ciclo de queda de juros

Em janeiro, o Fed decidiu pausar o ciclo de cortes iniciado em setembro. A economia americana se mantém robusta, com um mercado de trabalho saudável, um crescimento anualizado na casa dos 3% e uma inflação mais persistente que o esperado no início do ciclo de flexibilização. Além disso, a incerteza acerca dos efeitos das políticas econômicas do segundo governo de Donald Trump contribuiu para que essa pausa ocorresse na última reunião.

Em suas projeções mais recentes, o Fed antevia mais dois cortes de juros ao longo de 2025. Apesar do ano ainda estar no início, a perspectiva para esses cortes se torna cada vez mais limitada. A inflação de janeiro, de 0,5%, bem acima do esperado, com uma notável aceleração do núcleo, deve tornar o Fed ainda mais cauteloso em suas próximas decisões. Com a inflação a 3% no acumulado dos últimos 12 meses, o espaço para a retomada dos cortes no 1º semestre é praticamente inexistente, especialmente se considerarmos que as políticas tarifárias de Trump tem o potencial de causar um aumento na volatilidade da inflação no curto prazo.

Assim, não vemos espaço para o Fed retomar os cortes até a reunião de setembro. A retomada dos cortes antes disso dependerá de uma piora substancial do mercado de trabalho, que não parece estar no horizonte de curto prazo.


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