IPCA em linha com o esperado
IPCA registrou alta de 1,31% em fevereiro, exatamente como antecipava o consenso de mercado, com o acumulado em 12 meses alcançando 5,06%. O resultado era esperado devido à devolução do bônus Itaipu nas contas de energia elétrica, além da sazonalidade dos reajustes escolares.

De fato, os grupos de Habitação e Educação foram os principais contribuintes para a alta do mês, avançando 4,44 % e 4,70%, respectivamente. Destacamos também o avanço de 0,61% no grupo de Transportes, refletindo a alta de 2,89% nos preços dos combustíveis, além do reajuste nas tarifas de ônibus urbano, que avançou 3%. Além disso, o grupo de Alimentação e Bebidas desacelerou frente a janeiro, mas se mantendo em patamar elevado, registrando alta de 0,70%. Apenas esses quatros grupos foram responsáveis por mais de 92% da inflação observada no mês.

O núcleo da inflação, que elimina os itens mais voláteis como alimentos, energia e combustíveis, registrou alta de 0,60%, apresentando estabilidade frente a janeiro, mas ainda em patamar que demanda cautela. Nos últimos 12 meses, o núcleo acumula alta de 4,64%, acima dos 4,54% observados em janeiro. A inflação de serviços registrou alta de 0,82%, também estável em comparação com janeiro. Entretanto, nota-se desaceleração na inflação dos serviços subjacentes, que saiu de 0,86% em janeiro para 0,69% em fevereiro, e na inflação dos serviços intensivos em trabalho, que saiu de 0,74% em janeiro para 0,62% em fevereiro. Portanto, a inflação de serviços estável reflete mais a recomposição dos itens administrados, que avançou 3,16% no mês, do que alguma pressão no mercado de trabalho. Finalmente, o índice de difusão que mede o tamanho do processo inflacionário, recuou de 65% em janeiro para 61% em fevereiro, indicando que a piora nos últimos dois meses foi pontual.

O resultado do IPCA refletiu a dinâmica já observada no IPCA-15 de fevereiro, que é de inflação ainda demandando cautela, mas apresentando sinais de melhora. De toda forma, não vemos o resultado de hoje alterando o rumo da política monetária nos próximos meses, em particular a decisão de semana que vem, que deverá entregar a alta de 100 pontos base já prometida desde dezembro. Para os próximos passos, entretanto, ainda vemos como provável uma última alta na reunião de maio, de 50 pontos base, levando a Selic a 14,75%, uma vez que as expectativas ainda não absorveram totalmente a melhora do câmbio nesse primeiro trimestre, tampouco a desaceleração da atividade no último trimestre de 2024. Mesmo com uma alta probabilidade de mais uma alta em maio, vemos o cenário ainda muito incerto, o que tornaria prudente o Copom não se comprometer, nesse momento, com nenhuma trajetória futura de política monetária.
