Dólar fecha em R$5,79 com “flight to safety invertido” e temores fiscais
O câmbio encerrou a última sexta-feira em R$5,79 representando uma queda de 1,61% na semana, com alta de 0,59% em março e baixa de 5,88% no acumulado do ano.


Após o fechamento do último relatório, o mercado absorveu as declarações do presidente Lula acerca de medidas fiscais visando alívio para a alta no preço dos alimentos no dia 25, com alta resultante no câmbio que foi contida com o cenário de enfraquecimento global do dólar. No dia seguinte, a divulgação dos dados de emprego revelaram um mês de janeiro atipicamente forte na geração de vagas contrastando com as leituras recentes, motivando aversão a risco e consequente alta no dólar. O movimento de alta continuou nos dias seguintes, e foi acentuado com as notícias de troca ministerial que reforçaram os temores de alguns participantes no mercado acerca da incapacidade de articulação do governo federal para praticar o aguardado ajuste fiscal.
Enquanto o mercado brasileiro ficou fechado para a comemoração do Carnaval, o cenário externo foi marcado por uma súbita incerteza acerca da política comercial dos EUA, que vêm alternando entre promessas feitas e desfeitas na implementação de tarifas contra o resto do mundo, gerando saídas de capital da bolsa americana em direção à Treasuries e ativos de risco internacionais.
Ao contrário do que tipicamente ocorre nos surtos de aversão à risco, porém, percebeu-se um episódio de desvalorização do dólar frente às demais moedas do mundo. A explicação é fundamentada no enfraquecimento do status de safe haven dos ativos americanos, que vivem um momento de incerteza doméstica após a entrada de trilhões de dólares em busca de boa performance na bolsa americana, que negocia a múltiplos historicamente esticados e tem tido uma performance pior que suas contrapartes europeias. Assim, existem vestígios de uma rotação de volta aos mercados ex-EUA após o “Trump Trade” que havia impulsionado a taxa real de câmbio americano para o patamar mais forte desde meados da década de 80; havíamos visto um episódio similar no final de 2022, que foi acompanhado de forte desvalorização na divisa americana. Desta maneira, o real se encontra bem posicionado com o cenário externo, mas o cenário doméstico, tipicamente mais importante na determinação da cotação, segue potencialmente negativo com a menor popularidade do governo constituindo um desafio para a consolidação fiscal.
