Palavra da Estrategista – Abr.25
Entre a cautela e a oportunidade – O que esperar, com uma inflação teimosa?
Em março de 2025, o cenário econômico brasileiro apresentou um misto de otimismo e cautela. O Banco Central revisou a projeção do PIB para 1,9% no ano, uma redução em relação aos 2,1% previstos anteriormente, refletindo a desaceleração do consumo e dos investimentos após um trimestre intenso em 2024. No entanto, o início de 2025 foi impulsionado pelo aumento do salário-mínimo, a liberação extra do FGTS e uma colheita recorde de soja, indicando uma força momentânea na economia.
No que diz respeito à inflação, o IPCA-15 desacelerou para 0,64% em março, bem abaixo dos 1,23% de fevereiro. Apesar dessa redução, o aumento dos preços de alimentos e serviços ainda exerce pressão, levando o Banco Central a elevar sua previsão de inflação anual para 5,1%. O mercado de trabalho também apresentou uma situação interessante: a taxa de desemprego subiu levemente para 6,8%, mas o emprego formal atingiu 39,56 milhões de trabalhadores, um recorde que apoia o consumo
No mercado de ações, o Ibovespa avançou 7,41%, impulsionado por um fluxo estrangeiro líquido de quase R$ 3,8 bilhões e por avaliações atrativas.
Já no cenário internacional, dados mais fracos nos Estados Unidos ajudaram a pressionar o dólar para baixo, beneficiando os ativos brasileiros. O mês de março trouxe sentimentos mistos ao mercado americano, com alguns indicadores apontando para um crescimento econômico moderado, enquanto outros sinalizavam potenciais desafios que exigiram análise cuidadosa dos dados.
O trimestre também foi marcado por dados importantes: o PIB do quarto trimestre de 2024 cresceu 2,4%, evidenciando uma moderação econômica. Embora o CPI tenha mostrado um arrefecimento na taxa anual, o PCE Core – a medida de inflação preferida do Federal Reserve – surpreendeu com um aumento, mantendo as preocupações inflacionárias. Esses dados levaram o Fed a decidir manter as taxas de juros inalteradas, adotando uma postura cautelosa diante da incerteza econômica.
O índice S&P 500 registrou um declínio acumulado de cerca de 4,6% no mês, refletindo a apreensão dos investidores quanto às incertezas macroeconômicas e políticas. Além disso, as novas políticas do governo sobre imigração e tarifas continuam a criar incertezas. O índice VIX, que mede a volatilidade do mercado, atingiu seu maior nível do ano, próximo a 20 pontos.
Esse conjunto de dados ressalta a importância de identificar oportunidades com cautela, mesmo em tempos desafiadores.
Bons investimentos!
Asset Allocation Abr.2025
O cenário atual continua repleto de dúvidas e incertezas, resultando em volatilidade nos ativos de forma geral. Os juros brasileiros, que apontavam para um recuo, se inverteram nas últimas duas semanas, causando estresse na renda fixa. Com isso, mantemos a predominância por renda fixa em nossos portfólios. Clientes mais conservadores estão bem atendidos com os ativos pós-fixados. A Selic atualmente está em 14,25%, com o Banco Central sinalizando outra alta, mas de menor magnitude. O time de macroeconomia do Inter acredita que haverão apenas mais um aumento de 0,5, encerrando assim o ciclo de alta de juros. Para investidores mais arrojados, a renda fixa de juros longos se apresenta como uma excelente alternativa, especialmente o IPCA+.
Em relação à bolsa, acreditamos que há oportunidades de alocação. Março foi positivo, principalmente com o fluxo estrangeiro retornando ao Brasil, impulsionando ativos que estavam depreciados. Além disso, o encerramento da temporada de resultados confirmou a tese de aquecimento econômico, com muitas empresas superando as estimativas de mercado. No entanto, há espaço para que o Ibovespa continue sua trajetória, já que ainda está negociando a múltiplos muito baixos.
Nos EUA, as incertezas aumentam, com a atual gestão de Trump e suas políticas tarifárias, além da desaceleração econômica e expectativas de recessão neste ano, levando a projeções menores para os lucros das empresas. A renda variável por lá teve um início de ano negativo, com o S&P 500 acumulando cerca de -5% de queda.
Assim, recomendamos que os investidores fiquem atentos à alocação estratégica, podendo surfar entre as incertezas e oportunidades que o mercado apresenta.




Cenário Doméstico
Desaceleração econômica e risco fiscal
O cenário macroeconômico permaneceu inalterado em março. O Copom, como já antecipado, elevou a Selic para 14,25%, o maior patamar em 20 anos, prometendo pelo menos uma alta adicional, sem especificar sua magnitude. O comitê destaca a incerteza atual e as expectativas inflacionárias ainda desancoradas, o que impossibilita a interrupção do ciclo de alta neste momento.
A inflação continua em patamares que exigem cautela, apesar de sinais de melhora na margem. Contudo, a aceleração dos preços de alimentos pode afetar outros grupos, especialmente a inflação de serviços. Por outro lado, indicadores mais sensíveis ao ciclo econômico, como o núcleo da inflação e a inflação de serviços subjacentes, mostraram melhora, sugerindo que, assim que dissipado o choque nos preços dos alimentos, poderemos observar uma estabilização da inflação.
Adicionalmente, notamos uma tendência de desaceleração na atividade. O PIB do 4º trimestre de 2024 cresceu 3,4%, mas o desempenho foi abaixo do esperado, com crescimento de apenas 0,2% e um recuo de 1% no consumo das famílias. Os dados setoriais indicam uma continuidade dessa tendência, refletindo três meses consecutivos de queda na produção. Observamos também impactos no mercado de trabalho, com a taxa de desocupação aumentando pelo segundo mês seguido, embora os dados do Cagedde fevereiro mostrem uma forte criação de empregos formais, influenciada por um efeito sazonal do carnaval.
Os riscos para o cenário permanecem no fiscal. O arcabouço fiscal prevê o zeramento do déficit em 2025, mas, mesmo com o pacote anunciado em dezembro, estimamos que o governo encerre 2025 com um déficit de R$70 bilhões, necessitando de novas medidas fiscais. A desaceleração econômica reduz a capacidade de arrecadação, o que exigiria cortes de gastos, algo ao qual o governo parece relutante. Outro risco é o cenário externo, que permanece incerto devido à política tarifária dos EUA.

Cenário Internacional
Economia americana continua mostrando sua resiliência
No cenário internacional, a incerteza aumentou devido às tarifas prometidas por Trump, intensificando-se no final do mês com a promessa de tarifas a serem implementadas a partir de 2 de abril. Em fevereiro, a economia americana continuou a mostrar resiliência, com 151 mil novos empregos e uma taxa de desemprego de 4,1%. Os salários cresceram acima de 4% anualizados, o que é inconsistente com a meta de inflação de 2% ao ano. A inflação teve uma surpresa positiva, com alta de 0,2% em relação a janeiro e uma desaceleração no núcleo da inflação.
Contudo, as incertezas sobre as tarifas impedem um maior otimismo. A falta de detalhes sobre a implementação dessas tarifas e o risco de mudanças por parte do governo americano tornam difícil avaliar o impacto na economia e na inflação. O Fedestá em modo reativo, aguardando novos dados antes de tomar decisões, e já pausou pela segunda reunião consecutiva, sem um plano claro para retomar o ciclo de corte de juros.
O banco central prevê mais dois cortes de 25 pontos base este ano, mas revisou suas projeções de crescimento do PIB para baixo e aumentou as de inflação. O FOMC sugere que considera a incerteza das tarifas prejudicial ao crescimento e com risco inflacionário. Ao manter a previsão de cortes para 2025, o Fedparece acreditar que o impacto das tarifas será limitado, recordando a abordagem adotada em 2018, durante a imposição de tarifas no governo Trump. Esperamos que os dois cortes ocorram no segundo semestre, possivelmente a partir da reunião de setembro.

Renda Fixa
Juros voltam a subir
A curva de juros brasileira, que havia apresentado uma queda recentemente, voltou a se elevar nas últimas duas semanas. Esse movimento é impulsionado por fatores como a volatilidade do mercado externo, preocupações com os gastos do governo e uma inflação ainda resiliente. Essa combinação cria um ambiente de incerteza que afeta a performance dos ativos de renda fixa, especialmente aqueles prefixados ou híbridos.
Os ativos atrelados ao IPCA+ também estão enfrentando desafios, com o IMA-B5+ registrando um retorno de -4,1% nos últimos 12 meses e 2,8% no acumulado do ano. Em contraste, o IRF+ teve retorno de 1,8% em 12 meses e 4,6% para 2025. O CDI se destacou, apresentando 11,1% em 12 meses e 2,7% no ano, evidenciando uma performance sólida em meio às turbulências do mercado.
Diante desse cenário volátil, recomendamos que clientes conservadores permaneçam em ativos pós-fixados, dada a garantia de resiliência. Para investidores mais arrojados, as taxas atuais dos ativos IPCA+ representam uma excelente oportunidade para o longo prazo, especialmente aqueles com maior duration, que podem oferecer retornos interessantes à medida que o panorama econômico se estabiliza.

Ibovespa
De tarifa em tarifa o Ibovespa enche o “papo”
Março foi um mês positivo para a bolsa brasileira, que se recuperando da ressaca de carnaval após a queda de 2,6% em fevereiro e novamente o investidor estrangeiro foi o principal vetor para a nossa forte alta de cerca de 6,4% por aqui no mês fechando o primeiro trimestre com ganhos de 8,3%. O nosso índice tem aproveitado a rotação na escolha setorial do investidor estrangeiro, que está trocando de cases típicos de alto crescimento com valuationesticado, específicamenteaqueles voltados para inteligência artificial e big techspara o setor industrial, commodities e outros que ficaram de fora do recente boom de IA. O motivo? As tarifas e a guerra comercial capitaneada pelo governo de Donald Trump. Desta forma, com o dólar perdendo força e emergentes como China ganhando destaque, o Brasil acabou entrando no fluxo positivo e comprador do investidor estrangeiro, que em março voltou a aportar e totalizou uma entrada líquida de R$ 5,2 bi (até 27/03).
Entre os setores que apresentaram forte desempenho de duplo dígito, vimos o setor de Educação com alta de 24%, seguido por Agro, Alimentos e Bebidas com 16,6% e Imobiliário com 11%. Além disso Varejo, Financeiro e transporte e logística com ganhos acima de 7% também foram destaque. Por fim, todos surfando bem a rotação setorial global e com a China e Europa também em alta em detrimento de papéis norte-americanos.
A temporada de resultados do quarto trimestre fechou com todas as companhias divulgando seus números de 2024 e o foco agora se volta para 2025. Nesta última temporada vimos que as companhias seguiram o ritmo do que vimos ao longo de 2024 com a maioria das delas superando as estimativas do mercado com 60% das empresas batendo as expectativas, ficando acima da média histórica de 56% ao longo dos últimos trimestres.
Desta forma, em abril voltamos os olhos para os acontecimentos macro, com o mercado preocupado ainda com a inflação e juros tanto nos EUA, quanto aqui e claro acompanhando de perto os desdobramentos da guerra comercial.

Fôlego renovado?
O mês de março foi marcado por um movimento mais estável nos Fundos Imobiliários, com o IFIX encerrando o período com leve valorização. A inflação mais controlada, aliada à manutenção da Selic em patamar mais baixo, tem sustentado o apetite por ativos de renda passiva. Essa conjuntura favorece os FII de tijolo, especialmente aqueles ligados a segmentos resilientes como logística.
No segmento de lajes corporativas, ainda se observa uma recuperação gradual. A taxa de vacância em regiões centrais segue caindo, refletindo a retomada da ocupação por empresas que já se adaptaram ao modelo híbrido de trabalho. Fundos com portfólios bem localizados e com contratos atípicos continuam sendo destaque, apresentando maior previsibilidade de receita e menor risco de vacância.
Oportunidades têm surgido especialmente em fundos negociando com P/VP abaixo de 1, revelando descontos expressivos frente ao valor patrimonial. A seletividade, no entanto, segue sendo essencial: o investidor deve priorizar ativos com gestão consolidada, imóveis bem posicionados e contratos de longo prazo.
Enquanto isso, FIIs de papel continuam se beneficiando dos índices de inflação e da reprecificação de ativos em CDI+, mas com menor intensidade que nos últimos anos, exigindo atenção ao perfil de duratione risco de crédito.
Assim, o cenário permanece construtivo, mas com um olhar criterioso. A combinação de dividendos atrativos, recuperação gradual de setores e oportunidades descontadas oferece um campo fértil para o investidor atento e bem informado.

