Análise


Criptoworld – Ed.14.24

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Gabriela Joubert

Publicado 05/jul2 min de leitura

Volume de vendas da Alemanha e de credores da Mt.Gox assustam o mercado, market cap. volta a US$ 2,1 trilhões.

Esta semana foi marcada por eventos significativos que impactaram o mercado de forma substancial, misturando preocupações de curto prazo com perspectivas otimistas para o futuro.

O governo alemão surpreendeu ao transferir mais de R$ 1,5 bilhão em bitcoin para corretoras, gerando especulações sobre uma possível venda em massa. Essa movimentação, iniciada em 20 de junho, tem pressionado os preços das criptomoedas no curto prazo.

Paralelamente, o caso Mt. Gox ressurgiu, com a iminente devolução de bitcoins aos credores da falida exchange. Após uma década de espera, aproximadamente US$ 9 bilhões em bitcoin começaram a ser distribuídos. Contudo, é importante ressaltar que grande parte desses ativos já foi negociada ao longo dos anos. Hedge funds e grandes investidores adquiriram as dívidas dos credores originais, obtendo bitcoins com desconto. Embora exista uma expectativa de pressão de venda, uma parcela significativa desses bitcoins já não está nas mãos de indivíduos propensos a despejá-los imediatamente no mercado.

A expectativa pela aprovação dos ETFs de Ethereum, agora adiada para 8 de julho de 2024, tem sido um ponto focal para o mercado. A Bitwise divulgou previsões otimistas, esperando um influxo de US$ 15 bilhões nos primeiros 18 meses após o lançamento. Ainda mais otimista, um relatório da Galaxy Research estima entradas líquidas de US$ 1 bilhão por mês nos primeiros cinco meses. O estudo da Galaxy também destaca que a sensibilidade do preço do ETH aos fluxos de ETF pode ser maior do que a do BTC, devido a fatores como o fornecimento bloqueado em staking e contratos inteligentes.

Apesar da turbulência de curto prazo, essas projeções otimistas para os ETFs de Ethereum estão sustentando uma narrativa de alta para o ativo nos próximos meses. O mercado, embora enfrentando pressões imediatas, mantém uma perspectiva de alta no longo prazo.

Números de Mercado

O mercado de criptoativos enfrentou uma semana bem desafiadora, com o Market Cap. totalizando US$ 2,06 trilhões, uma queda significativa de 11,58% em relação à semana anterior. O TVL em DeFi também apresentou retração, fechando a semana em US$ 166,84 bilhões, uma baixa de 2,44%.

Entre os principais criptoativos, o Bitcoin (BTC) sofreu uma desvalorização de 6,96%, encerrando a semana em US$ 56.552,17. Ethereum (ETH) teve uma queda ainda mais acentuada, caindo 12,35% e fechando a US$ 2.969,03. Binance Coin (BNB) também apresentou um desempenho negativo, com uma queda de 13,43%, atingindo US$ 494,78. Polygon (MATIC) foi o destaque negativo, com uma queda expressiva de 18,61%, encerrando a semana em US$ 0,4589.

Apesar da queda generalizada, a dominância do Bitcoin aumentou levemente, saindo de 53% e fechando a semana em 54,03%, indicando uma maior resiliência do principal ativo do mercado em relação às altcoins. A venda de Bitcoins pelo governo da Alemanha e o temor da liberação dos Bitcoins da Mt. Gox estão entre os possíveis principais catalisadores para a forte queda do mercado de criptoativos nesta semana.

Notícias da Semana

Governo alemão transfere bilhões em Bitcoin para corretoras

O governo da Alemanha tem transferido grandes quantidades de bitcoin, totalizando mais de US$ 300 milhões (R$ 1,5 bilhão), para várias corretoras de criptomoedas desde junho de 2024. Essas movimentações, que incluem o envio de 3 mil bitcoins avaliados em US$ 175 milhões para exchanges como Bitstamp, Coinbase e Kraken, têm gerado especulações no mercado sobre uma possível v enda em massa desses ativos. Embora não haja con firmação oficial, a transferência de bitcoins para corretoras geralmente indica intenção de venda, o que, combinado com um cenário macroeconômico incerto, tem preocupado investidores e pressionado o mercado de criptomoedas.(link da notícia)

Ondo Finanças adota fundo tokenizado da BlackRock para aprimorar liquidez de seu token lastreado em títulos do Tesouro

A Ondo Finanças, uma plataforma de tokenização de ativos do mundo real, está transferindo US$ 95 milhões em ativos de lastro de seu token OUSG para o recém- lançado fundo tokenizado BUIDL da BlackRock. Essa mudança permitirá resgates e subscrições instantâneos 24 horas por dia para o OUSG, tornando-o significativamente mais utilizável como reserva de valor e ativo de garantia no ecossistema cripto. A adoção do fundo da BlackRock pela Ondo marca o primeiro exemplo de um protocolo cripto aproveitando essa oferta tokenizada para aprimorar sua própria solução, ampliando o acesso dos investidores de varejo a esse tipo de exposição através da tokenização.(link da notícia)

ONU e Fundação Dfinity se unem para criar identidade digital global baseada em blockchain

A ONU, em parceria com a Fundação Dfinity, desenvolvedora do blockchain Internet Computer (ICP), lançou um projeto piloto no Camboja para a criação de uma identidade digital global baseada em blockchain, chamada Universal Trusted Credentials (UTC). O objetivo é aumentar a inclusão financeira de micro, pequenas e médias empresas, fornecendo uma infraestrutura segura e confiável para o armazenamento e gerenciamento de credenciais digitais. A iniciativa, que conta com a colaboração da Autoridade Monetária de Singapura e do Banco de Gana, visa estimular a adoção de tecnologias digitais e construir um ecossistema financeiro sustentável. Após o piloto no Camboja, o projeto planeja se expandir para 10 países. (link da notícia)

Apenas 5 plataformas de mineração permanecem lucrativas com queda do Bitcoin abaixo de US$ 58.000

Com a recente queda nos preços do Bitcoin para menos de US$ 58.000, apenas cinco plataformas de mineração permanecem lucrativas, de acordo com a gigante da mineração F2Pool. Os mineradores, responsáveis por fornecer poder computacional para as redes blockchain em troca de recompensas em tokens, enfrentam custos operacionais significativos e precisam vender continuamente suas recompensas para manter as operações funcionando. Essa falta de lucratividade para a maioria dos mineradores pode sinalizar um fundo local para o mercado, já que a pressão de venda diminui. (link da notícia)

Glossário

TVL (Total Value Locked): métrica que representa o valor total de ativos depositados e bloqueados em protocolos descentralizados de finanças (DeFi) e outros aplicativos baseados em blockchain.

Halving: evento programado no protocolo do Bitcoin que reduz pela metade a recompensa de mineração a cada 210.000 blocos minerados, o que ocorre aproximadamente a cada 4 anos. O halving é um mecanismo deflacionário que controla a emissão de novos bitcoins e contribui para a escassez e valorização da criptomoeda a longo prazo.

Altcoins: termo que engloba todas as criptomoedas e tokens alternativos ao Bitcoin. As altcoins abrangem uma ampla gama de projetos com diferentes propósitos, tecnologias e casos de uso, como Ethereum, Solana, Cardano, entre outras.

DeFi (Decentralized Finance): ecossistema de aplicativos e protocolos financeiros construídos sobre redes blockchain, principalmente Ethereum, que buscam oferecer serviços financeiros de forma descentralizada. O DeFi engloba uma serviços como empréstimos, negociação de ativos, gestão de portfólio e seguros.

LST (Liquid StakingToken): tokens que representam uma participação em staking na rede Ethereum. Quando um usuário faz staking de seus ETH, ele recebe tokens LST em troca, que podem ser usados em outros protocolos DeFi ou negociados no mercado secundário. Diferente do staking puro de Etereum, tokens LST permitem que os usuários usufruírem do valor e maior liquidez de seus ativos enquanto participam do staking e ajudam a proteger a rede Ethereum.

Lending: é um serviço oferecido por protocolos descentralizados em blockchains públicas, como Ethereum, que permite aos usuários emprestar e tomar emprestado criptomoedas. Os usuários podem depositar suas criptomoedas nesses protocolos e ganhar juros, enquanto outros podem tomar esses fundos emprestados e pagar juros. O processo é facilitado por contratos inteligentes, que automatizam as transações e garantem a segurança dos fundos. Quando um usuário não consegue pagar seu empréstimo, o protocolo liquida automaticamente a dívida, vendendo as criptomoedas depositadas como garantia. A maioria dos empréstimos é super colateralizada, o que significa que os usuários precisam depositar um valor maior em criptomoedas do que o valor que desejam emprestar, reduzindo o risco de inadimplência.

Memecoin: criptomoeda inspirada em memes da internet, geralmente criada como uma piada ou para fins de especulação. As memecoins geralmente têm pouco ou nenhum valor intrínseco ou utilidade prática, e seu valor é impulsionado principalmente pelo humor e pelo interesse da comunidade. Exemplos populares de memecoins incluem Dogecoin(DOGE) e Shiba Inu(SHIB).


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